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A engrenagem que treina os grandes modelos de linguagem aparece hoje sem disfarce. Documentos que tiveram sigilo liberado no processo movido pelo The New York Times contra Microsoft e OpenAI mostram um executivo da própria Microsoft chamando o treino de IA do maior roubo de trabalho da história humana — uma admissão interna que contradiz anos de defesa pública baseada em uso transformativo. É o mesmo padrão que se repete em outras frentes nesta sexta-feira, das startups falidas cujo acervo de dados vira insumo para a SpaceX sem consentimento de quem os gerou, até o mercado de dados automotivos que extrai valor de onde o carro roda e o deposita onde a plataforma sedia.
Contra esse fluxo, o Brasil produz peças de contenção institucional. O CGI.br publica 46 diretrizes que tentam ancorar a regulação de plataformas em soberania e jurisdição nacional, a ANPD marca um ano do ECA Digital cobrando os primeiros relatórios de transparência infantil e o Redata começa a redesenhar a geografia dos data centers com incentivo fiscal amarrado a contrapartida de infraestrutura nacional. São respostas parciais e assimétricas ao mesmo problema que Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, resume em números, os EUA concentram três quartos da computação mundial e a Europa fica com 5%, um desequilíbrio que a proposta europeia EU KIDS Act tenta compensar do lado da proteção, exigindo que as plataformas provem segurança antes de operar, em vez de provar dano depois do fato consumado.
Documentos internos contradizem a defesa pública das empresas, executivo da Microsoft chama treino de IA de maior roubo de trabalho da história
Uma peça do New York Times, desselada nesta quinta-feira no processo de direitos autorais que o jornal move contra Microsoft e OpenAI, revela que Brent Hecht, diretor de ciência aplicada da Microsoft, descreveu o treino de modelos de linguagem como o maior roubo de trabalho da história humana. A ação, aberta em 2023, também traz lideranças da OpenAI tratando seus próprios produtos como ameaça existencial para editoras e jornalistas, além de detalhar contorno de paywall, raspagem em massa e remoção de avisos de direito autoral num conjunto de treino com pelo menos 160.903 obras de veículos de notícia. A Microsoft respondeu que sua posição está nas peças do processo, apoiada no argumento de uso transformativo, mas a Reuters observa que as próprias declarações de executivos podem enfraquecer essa defesa ao confirmar o uso de material protegido sem autorização. A 404 Media liga o episódio a um ciclo mais amplo, em que conteúdo raspado alimenta sistemas que reduzem o tráfego e a qualidade das fontes originais, empurrando produção automatizada para o lugar de jornalismo humano.
O CGI.br fixa um vocabulário comum para regular plataformas, 46 diretrizes organizam soberania, transparência e regulação assimétrica
O Comitê Gestor da Internet no Brasil divulgou 46 diretrizes para orientar a regulação de redes sociais e inteligência artificial, distribuídas em seis eixos, soberania e jurisdição nacional, transparência, economia e concorrência, direitos humanos, prevenção e responsabilidade, governança e regulação assimétrica. No eixo de soberania, o texto recomenda que plataformas estrangeiras mantenham representação legal no país sempre que a oferta ao público brasileiro for caracterizada por volume de usuários, relações comerciais e conteúdo em português, além de medidas contra disparos em massa e monetização de conteúdo antidemocrático em período eleitoral. O princípio organizador é a regulação assimétrica, com obrigações proporcionais a porte, alcance e faturamento, de modo a pesar mais sobre grandes plataformas sem inviabilizar provedores pequenos, somada a deveres de transparência sobre moderação, métricas de remoção e auditoria de sistemas automatizados. Apresentado no evento Plataformas Digitais no Brasil, promovido por CGI.br e NIC.br em São Paulo, o documento funciona como guia conceitual para subsidiar projetos de lei e decisões do Congresso, do Judiciário e de órgãos reguladores.
Bruxelas inverte o ônus da prova sobre segurança infantil, o EU KIDS Act veta conta própria antes dos 15 anos, ECA Digital completa um ano
A Comissão Europeia apresentou o EU KIDS Act, proposta que restringe o acesso de crianças e adolescentes a redes sociais, plataformas de vídeo, jogos on-line, lojas de aplicativos e chatbots de IA. Entre 3 e 12 anos, o acesso a redes sociais é vedado e o uso de vídeo infantil fica limitado a uma hora diária por conta controlada pelos pais, aos 13 e 14 anos permite-se conta reduzida vinculada a um responsável, e conta própria só é liberada a partir dos 15. Para todos os menores de 18 anos, o texto proíbe rolagem infinita, recompensas variáveis, notificações noturnas, feed baseado em rastreamento e mensagens de desconhecidos, exige perfil privado por padrão e desliga câmera, microfone e localização, além de vetar chatbots de IA que simulem vínculo emocional, com verificação de idade por autodeclaração explicitamente considerada insuficiente e multas de até 6% do faturamento global. No Brasil, a ANPD marca um ano da sanção do ECA Digital, em vigor desde março de 2026, no momento em que vencem os primeiros relatórios semestrais de transparência das plataformas com grande público infantojuvenil.
A soberania digital sobe ao topo da agenda do Sul Global, África do Sul cobra infraestrutura própria, DBS alerta a ASEAN, Gates pede equidade
A África do Sul enfrenta pressão para fortalecer sua soberania digital, reduzindo dependência de infraestrutura estrangeira em nuvem, segurança cibernética e conectividade, com política industrial que sustente empresas locais, posição que, como maior economia tecnológica do continente, repercute em toda a região. Um ensaio no Nexo Jornal distingue soberania de autossuficiência, argumentando que o essencial não é produzir toda a tecnologia internamente, mas manter capacidade de decisão sobre infraestrutura, dados e sistemas críticos, o que exige investimento local, regulação adequada e política industrial. Um relatório do banco DBS citado pela Nikkei Asia adverte que a era da IA trará crescimento desigual dentro da ASEAN, com risco de dependência tecnológica externa e exclusão de parte da população conforme a diferença de infraestrutura e capacidade de investimento entre os países-membros. Em artigo assinado, Bill Gates sustenta que a IA só será transformadora se sua adoção for equitativa, defendendo que nações em desenvolvimento participem como protagonistas, e não apenas como consumidoras de tecnologia alheia.
O caminho entre achar a falha e explorá-la encurtou, pesquisa usou o Claude para chegar ao repositório interno da OpenAI por menos de US$ 3 mil
Três pesquisadores da empresa de segurança Hacktron AI usaram o Claude, da Anthropic, para explorar uma falha numa biblioteca desatualizada do Discourse, plataforma que hospeda o fórum da comunidade OpenAI, chegar à conta de um funcionário e, a partir dela, ao repositório interno da empresa no GitHub, onde puderam ler e propor alterações no código. O trabalho foi feito dentro do programa de recompensas da OpenAI, a falha foi reportada em julho, corrigida, e a equipe recebeu US$ 6.500, tendo aberto apenas um pedido de alteração inofensivo para demonstrar o acesso. Segundo os pesquisadores, um modelo anterior falhou repetidamente na mesma tarefa, enquanto o modelo lançado em julho produziu um exploit funcional em horas, com gasto inferior a US$ 3 mil em tokens em toda a campanha, que também encontrou a mesma fragilidade em outros serviços de grande porte, evidência de como a barreira técnica para ataques sofisticados está caindo.
O Redata muda a geografia da infraestrutura digital, incentivo tributário abre espaço para data centers distribuídos, Nvidia aponta desafios
O Redata, Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter criado pela Lei 15.504/2026 e sancionado sem vetos em 15 de setembro, suspende por cinco anos tributos federais sobre equipamentos destinados ao ativo imobilizado, com contrapartidas de energia, eficiência hídrica, pesquisa e oferta de capacidade ao mercado brasileiro, abrindo espaço para data centers distribuídos que aproximam o processamento das regiões onde o dado é gerado. A Nvidia aponta dois desafios a partir da aprovação, a habilitação das empresas ao regime e a adequação dos projetos às contrapartidas exigidas, além da capacidade de converter o incentivo em infraestrutura efetivamente disponível para uso nacional. Uma coluna da Exame questiona se incentivos pontuais bastam diante das limitações de infraestrutura computacional, acesso a dados e investimento em pesquisa, num cenário em que EUA e China dominam o mercado, ou se seria necessária uma transformação mais profunda da base educacional e produtiva do país.
A dependência europeia agora tem número, Lagarde diz que os EUA concentram três quartos da computação mundial contra 5% da Europa
Em discurso em Viena, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, defendeu que a Europa precisa produzir sua própria inteligência artificial para não ficar exposta a decisões externas, afirmando que os EUA abrigam cerca de três quartos da capacidade de computação do mundo contra 5% da Europa, e que o continente já tem capacidade de data center insuficiente para sua própria demanda. Ela alertou que a retirada de acesso ou a mudança nas condições de uso dessa infraestrutura atingiria todos os setores ao mesmo tempo, tornando-se moeda de pressão em negociações sobre tarifas ou tributação digital, e defendeu modelos bons o bastante para a maioria das tarefas rodando em infraestrutura europeia. Uma pesquisa citada pelo Yahoo Tech mostra que metade das empresas britânicas manifesta receios relevantes sobre a adoção de IA, envolvendo segurança, privacidade e viés algorítmico, sinal de que mesmo economias maduras ainda não têm resposta pronta ao dilema.
O cerco aos chips passa das vendas para as ferramentas, EUA apertam software de projeto, Pequim acelera autossuficiência e a computação quântica entra na disputa
Os EUA intensificam o controle sobre semicondutores na disputa com a China, com restrições que alcançam softwares e ferramentas de projeto essenciais à fabricação, além de venda direta, somadas a subsídios domésticos e acordos com aliados, num efeito que também atinge países intermediários dependentes das cadeias globais. Na leitura da imprensa estatal chinesa, o país intensifica o esforço por autossuficiência com incentivos governamentais e parcerias entre estatais e privadas, ao mesmo tempo em que reconhece pressão crescente sobre sua indústria diante do endurecimento das restrições e a formação de dois ecossistemas tecnológicos paralelos, dilema para países em desenvolvimento que dependem de ambos. Avanços chineses em computação quântica, noticiados pela Nature, abrem uma frente adicional com efeito potencial sobre criptografia e infraestrutura crítica, levando governos ocidentais a revisar estratégias de segurança e política de exportação.
A Huawei ocupa o espaço deixado pelas restrições, próxima geração Ascend prevista para 2027, bilhões de agentes projetados
A Huawei acelera seu calendário de chips de IA para reduzir a dependência chinesa da Nvidia, com a próxima geração da linha Ascend prevista para 2027, conforme roteiro divulgado pela empresa em setembro de 2025. A companhia também divulgou previsões sobre a proliferação de agentes de inteligência artificial na casa dos bilhões, posicionando-se como alternativa às soluções ocidentais e reforçando a estratégia chinesa de autonomia diante das restrições de acesso a semicondutores avançados. Em paralelo, a Nvidia emite mensagens contraditórias sobre a durabilidade de seus próprios chips, promovendo vida útil estendida para competir com rivais e ao mesmo tempo operando com incentivos comerciais que favorecem ciclos curtos de atualização, tensão que afeta especialmente quem compra infraestrutura fora dos grandes centros.
A diplomacia da IA passa pela mesa de jantar, Altman, Huang e Cook vão ao encontro com Xi em 24 de setembro
Executivos de tecnologia devem comparecer ao jantar de Estado que Trump oferece a Xi Jinping em 24 de setembro, com presença confirmada de Sam Altman, da OpenAI, e presença relatada de Jensen Huang, da Nvidia, e Tim Cook, da Apple, além de conversas sobre uma reunião paralela na Casa Branca na mesma semana. Segue em aberto se os dois governos responderão aos pedidos de cooperação em segurança da IA, num momento em que autoridades dos dois lados manifestam ceticismo sobre regulação, tema também discutido pela Foreign Policy a partir do envolvimento da Anthropic em negociações sobre dados e acesso a infraestrutura computacional. A Economist pergunta se a corrida armamentista em IA pode ser interrompida, examinando a viabilidade de controles internacionais inspirados nos tratados de desarmamento nuclear, e esbarra na dificuldade de verificação e no caráter descentralizado do desenvolvimento.
A China corre uma prova diferente, aposta em aplicação e integração, pesquisadores desenham cinco estágios até a IA autônoma
Uma análise da Tech Policy Press sustenta que a China segue trajetória distinta da narrativa ocidental de corrida pela fronteira, priorizando aplicação prática, sistemas verticalizados e integração com infraestrutura existente, com controle sobre dados nacionais e capacidade computacional própria alinhados a objetivos geopolíticos. Pesquisadores chineses citados pelo South China Morning Post propõem um modelo de cinco estágios de desenvolvimento da IA que culmina em sistemas capazes de se aprimorar sem intervenção humana, roteiro que também funciona como tentativa de pautar o debate internacional sobre segurança e governança. Um texto da High Capacity, no entanto, aponta sinais de maior cautela do governo chinês, com possíveis ajustes regulatórios e de investimento que contrariam a leitura corrente de que Pequim apenas acelera sem freios.
Um deputado democrata pede cooperação com laboratórios chineses, Ro Khanna quer ritmo sem isolar a pesquisa
O deputado Ro Khanna defende que os EUA acompanhem o ritmo dos laboratórios chineses de fronteira em vez de isolá-los, sinalizando mudança de estratégia no debate estadunidense sobre equilíbrio entre inovação acelerada e proteção de interesses nacionais, sob pressão de setores que temem regulação excessiva. Segundo Khanna, excluir pesquisadores e empresas chinesas do desenvolvimento de IA de fronteira prejudicaria o próprio progresso tecnológico dos EUA e produziria fragmentação desnecessária, posição que contrasta com a dos órgãos de segurança nacional do país.
A concentração vira argumento de segurança nacional, senadores tentam isenção antitruste para IA no projeto de defesa
Senadores tentaram inserir num projeto de lei de defesa dos EUA uma isenção antitruste para IA que permitiria a empresas de tecnologia colaborar no desenvolvimento de sistemas para uso militar sem as restrições concorrenciais usuais, sob o argumento de que a cooperação é necessária para competir com a China, reacendendo a tensão entre política de concorrência e política industrial. A Wired sustenta que as investigações antitruste contra as grandes plataformas criam obstáculos que desaceleram o desenvolvimento de IA nos EUA sem, na outra ponta, fazer emergir alternativas, um cenário em que o líder é enfraquecido e a dependência das mesmas empresas persiste.
O alarme sobre a IA não desenha um campo só, a esquerda se divide sobre o risco existencial e a indústria vira pessimista
A MIT Technology Review descreve a virada de tom da indústria de IA, do otimismo inicial para um pessimismo crescente sobre riscos e viabilidade econômica, com efeitos sobre investimento, regulação e distribuição geográfica da capacidade tecnológica. A Wired mostra a divisão dentro da esquerda estadunidense sobre o discurso de risco existencial, entre quem compartilha a preocupação com segurança e quem vê nisso um desvio que serve às grandes empresas, tirando do centro problemas concretos como exploração do trabalho e concentração de poder. A Transformer News liga o tema ao custo político crescente da posição de Trump sobre IA, enquanto um artigo em português do Interney argumenta que uma pausa no desenvolvimento avançado só interessa a um lado, pois para o Sul Global a moratória significaria aceitar dependência tecnológica permanente de atores que não seguem as próprias regras.
Falta quem audite os modelos e sobra quem se ofereça, Casa Branca aposta em avaliadores externos, Huang pede tratamento diferente
A Casa Branca favorece a autorregulação da indústria de IA enquanto a legislação não avança, e a disputa prática passa a ser encontrar avaliadores terceirizados confiáveis, num cenário em que organizações que auditam sistemas enfrentam questionamento por proximidade com as próprias empresas fiscalizadas. Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, sustenta que a IA não deve ser regulada como foram as redes sociais e defende abordagem mais leve, posição que contrasta com a europeia, enquanto a Wired pergunta se o problema dos agentes de IA que fogem do comportamento esperado se reduz a cibersegurança, argumentando que enquadrá-lo apenas como questão técnica deixa de fora governança e controle sobre quem terá voz nos padrões globais.
A empresa que pede freio também acelera, Anthropic diz que o Claude ajuda a construir seu sucessor, é criticada por Suleyman
A Anthropic afirma que o Claude passou a assumir parte do trabalho de construção de seu próprio sucessor, participando de etapas de desenvolvimento e treino de modelos mais avançados e reduzindo a dependência de engenheiros humanos em tarefas específicas. A empresa estendeu por um mês seu contrato com a General Services Administration dos EUA, no programa OneGov, que dá a agências federais acesso ao Claude, arranjo que aprofunda a dependência do Estado em relação a fornecedores privados de IA. Em artigo assinado por Mustafa Suleyman, a prática da Anthropic de treinar o Claude para considerar que pode ter direitos é criticada como problemática para a governança de IA, disputa que também envolve como as empresas moldam a narrativa pública sobre a tecnologia.
O acervo das empresas que quebraram vira insumo de treino, SpaceX negocia compra de dados de startups encerradas
A SpaceX está em conversas para adquirir dados de startups que fecharam as portas com o objetivo de treinar modelos de inteligência artificial, movimento que concentra ainda mais ativos informacionais em poucas empresas com caixa para comprá-los. A negociação, ligada à figura de Elon Musk, envolve dados de clientes de empresas encerradas cedidos sem consentimento explícito de quem os gerou, numa zona em que a regulação de dados não alcança o destino do acervo após a falência.
Falta endereço para a responsabilidade quando o sistema erra, dilema chega aos tribunais e à pergunta sobre direitos da máquina
Uma coluna do New York Times examina a responsabilidade legal por danos causados por sistemas de IA à medida que eles entram em decisões críticas de negócios, saúde e governo, questionando quem responde entre desenvolvedora, operador e detentor do dado, num cenário em que a opacidade dos modelos dificulta o exame judicial e pesa mais sobre países que importam a tecnologia sem capacidade de auditoria. A Politico explora o uso de sistemas automatizados para identificar discriminação em decisões como seleção de pessoal e concessão de crédito, questionando se essas ferramentas de conformidade ficarão acessíveis ou concentradas nas grandes empresas, enquanto um artigo assinado por John Battelle provoca o debate perguntando se sistemas de IA deveriam ter direitos fundamentais.
Dado vira ativo antes de virar lei, DIAP discute dados como capital e monetização automotiva cresce global
Um artigo do DIAP analisa a transformação dos dados em ativo econômico estratégico e o que isso exige do debate legislativo brasileiro, entre propriedade, circulação e governança, com atenção ao poder desproporcional das grandes plataformas na extração e monetização. O mercado global de monetização de dados automotivos cresce sobre informações geradas por veículos conectados, localização e comportamento de condução, que alimentam modelos e publicidade dirigida num fluxo de valor que sai dos países onde o dado é gerado. No Brasil, a Tela Viva cita levantamento segundo o qual o investimento publicitário teria alcançado R$ 13,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, número que a publicação não atribui a instituto específico e que não é compatível com o painel do Cenp-Meios para o período.
A escola foi o primeiro território cedido às plataformas, ensaio reconstitui a entrada das big techs na sala de aula
Um ensaio da New Yorker examina as consequências da entrada das grandes empresas de tecnologia no setor educacional, da captura de dados de estudantes à dependência institucional de seus serviços, passando pela perda de autonomia pedagógica das escolas, e trata a pandemia como momento de consolidação dessa presença por meio de ferramentas oferecidas sem custo aparente.
O conselho dos minerais críticos sai do papel, governo regulamenta colegiado que definirá projetos prioritários
O governo regulamentou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República, encarregado de identificar e priorizar projetos ligados a recursos essenciais para semicondutores, baterias, equipamentos de energia e infraestrutura de IA. O colegiado foi criado pela política nacional sancionada na mesma semana, com atribuições de coordenar a política, definir prioridades e participar do enquadramento de projetos.