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A segunda-feira revela uma inversão curiosa na relação entre Estados Unidos e China em torno da inteligência artificial. Enquanto Washington endurece o cerco a chips e agora estuda estender a barreira à computação em nuvem, o o Departamento do Tesouro, de Scott Bessent, propõe simultaneamente um canal de alerta bilateral para incidentes de IA que ameacem a segurança nacional. A tecnologia deixa de ser apenas objeto de disputa e passa a funcionar como moeda de troca na mesa de negociação que antecede a cúpula entre Trump e Xi Jinping, um sinal de que rivalidade estratégica e gestão de risco compartilhado podem coexistir quando os interesses comerciais pressionam.
No plano doméstico, a ausência de regra federal nos Estados Unidos empurra a responsabilidade para outros atores. Estados como a Califórnia avançam com auditorias e a hipótese de um mecanismo de kill switch, veículos de imprensa recorrem à Justiça contra banimentos arbitrários da Casa Branca, e o Departamento de Justiça surpreende ao tomar partido de empresas de IA contra jornais em disputas de direitos autorais. Ao mesmo tempo, a linha entre assistência e vigilância se apaga nos produtos de consumo e relatos de propaganda automatizada por bots autônomos mostram que o vácuo regulatório tem custos que já ultrapassam a esfera comercial.
EUA e China negociam canal de alerta para incidentes de IA, Bessent liga a proposta às tarifas e a cúpula com Xi recebe a pauta
A Wired revela que Estados Unidos e China discutem criar canais para notificar um ao outro sobre ameaças de IA à segurança nacional antes que se transformem em crises transnacionais, ainda sem acordo sobre o que conta como ameaça ou como verificar as notificações. A proposta ganhou corpo nas conversas de domingo em Nova York, quando o secretário do Tesouro Scott Bessent e o vice-primeiro-ministro He Lifeng discutiram, segundo a NBC News, um mecanismo bilateral de troca de alertas de segurança em IA, com participação do representante comercial Jamieson Greer. A ideia será levada à cúpula de 24 de setembro em Washington, entre Trump e Xi Jinping. A AP e o New York Times completam o quadro ao mostrar que Bessent trata a IA como peça de barganha nas negociações comerciais mais amplas, ao lado da trégua tarifária e do fluxo de terras raras, numa estratégia que mistura contenção tecnológica com pragmatismo diplomático.
A propaganda de IA dispensa o operador humano, Irã e China usam bots autônomos e empresas privadas entram na disputa
O New York Times relata, com base em autoridades de inteligência dos Estados Unidos, que Irã e China passaram a empregar sistemas de IA autônomos em campanhas de influência capazes de criar perfis falsos, escrever publicações e participar de debates nas redes sem qualquer intervenção humana. A reportagem cita ainda empresas privadas israelenses operando redes desse tipo, num salto que reduz custos e amplia escala e velocidade das operações. A preocupação central das autoridades é a interferência nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, num momento em que a automação torna a origem e a autenticidade do conteúdo online cada vez mais difíceis de rastrear.
Os assistentes de IA disputam a rotina do usuário, a Meta aposta em vigilância e a corrida por agentes pessoais expõe a privacidade
A Wired avalia o Muse, assistente de IA da Meta, e conclui que a ferramenta é mais eficiente em coletar dados do usuário do que em efetivamente ajudá-lo, com rastreamento de comportamento a serviço do treinamento de modelos e da publicidade. A mesma publicação detalha o recurso de memória do ChatGPT, que guarda preferências e contexto pessoal de conversas anteriores, enquanto o New York Times descreve a transição dos chatbots para agentes de OpenAI, Anthropic e Google DeepMind, capazes de executar tarefas em sequência sem supervisão humana constante. A Axios mostra a dimensão comercial dessa disputa. A startup Instinct, cujo assistente tem acesso a e-mail, mensagens e localização do usuário, negocia rodada que pode avaliá-la em dez bilhões de dólares, enquanto Meta e Apple lançam produtos concorrentes. Quanto mais o agente conhece sobre relações, gastos e rotina de quem o usa, mais valioso ele se torna para a empresa que o controla, e ainda não está claro se o consumidor aceitará essa troca entre conveniência e exposição.
Washington estende o cerco à IA chinesa para a nuvem, a DeepSeek aposta em chips da Huawei e os modelos abertos reequilibram poder
The Information revela que a DeepSeek passou a apostar nos processadores da Huawei para treinar e rodar seus modelos, contornando os controles de exportação dos Estados Unidos sobre chips da Nvidia e reforçando um ecossistema chinês próprio de hardware para IA. O South China Morning Post relata que Washington avalia agora restringir o acesso chinês à computação em nuvem, o que deslocaria a contenção do controle de chips para o controle de serviços, forçando o setor chinês a buscar infraestrutura doméstica, parcerias externas e ganhos de eficiência. A Interconnects analisa esse equilíbrio de poder no ecossistema de modelos abertos, mostrando como a disputa entre laboratórios dos Estados Unidos e da China redefine o que significa abertura para quem busca capacidade própria sem depender de modelos fechados.
O resfriamento da IA troca água por químicos eternos, produtores de PFAS ampliam capacidade e o escrutínio cresce nos EUA
A Fortune relata que data centers de IA estão substituindo água por substâncias perfluoroalquiladas, os PFAS ou químicos eternos, para resfriar equipamentos. Relatório da organização ChemSec mostra que a maioria dos maiores produtores mundiais de PFAS está ampliando capacidade por causa dessa demanda, mesmo os compostos não se degradando no ambiente e estando associados a riscos à saúde. The Hill acompanha o escrutínio crescente sobre o tema nos Estados Unidos, num momento em que a pressão dos data centers sobre infraestrutura e recursos locais se soma à disputa com a China pela liderança em IA e alimenta a reação pública a poucas semanas das eleições de meio de mandato.
O acesso à Casa Branca vira instrumento de punição, Trump bane CNN, MS NOW e Politico e os veículos recorrem à Justiça
O Washington Post relata que CNN, MS NOW e Politico entraram na Justiça contra o banimento imposto pela Casa Branca, em caso que pode firmar precedente sobre os limites da relação entre o Estado e a imprensa. O New York Times reconstrói o anúncio feito por Trump em 18 de setembro no Truth Social, quando declarou que baniria os três veículos com efeito imediato, acusando-os de publicar notícias falsas e ameaçando estender a medida a outros meios. A decisão segue a exclusão da Associated Press de eventos restritos em 2025, disputa que ainda corre na Justiça e serve de referência para o novo processo.
A AI Force abre disputa pelo cargo de czar de IA, candidatos com vínculos na indústria enfrentam exigência de desinvestimento
O New York Times relata que Trump planeja criar uma AI Force como parte de uma reestruturação das Forças Armadas, iniciativa ligada à rivalidade com a China pela IA militar. A Axios mostra que o anúncio, inspirado na Força Espacial do primeiro mandato, pegou assessores de surpresa e abriu disputa pelo cargo de czar de IA, com nomes como Scott Kupor, Sriram Krishnan, Chamath Palihapitiya, Sean Cairncross e Emil Michael cotados, embora candidatos ligados à indústria enfrentem exigências de desinvestimento, sobretudo de participações em Anthropic e OpenAI. Trump busca deslocar o debate sobre segurança de IA para o terreno econômico, chamando defensores de cautela de doomers, enquanto Eric Schmidt argumenta, na Economist, que a superioridade tecnológica sobre a China é central para decisões militares mais rápidas e para conter o risco de escalada por sistemas autônomos.
Os estados assumem a regulação que Washington recusa, Newsom acelera auditorias e estuda um kill switch na Califórnia
O Politico mostra que candidatos a governador transformaram a regulação da IA em tema de campanha nas eleições de meio de mandato, com estados desenhando regras próprias diante da inação federal, e que eleitores da Califórnia já se voltam contra a tecnologia por preocupações com privacidade, emprego e falta de supervisão. A NBC News e o New York Times detalham a ordem executiva assinada por Gavin Newsom em 18 de setembro, que acelera a implementação da SB 813 e da AB 1405, cria avaliação independente e registro de auditores, e encarrega especialistas de avaliar, até 16 de novembro, a exigência de um kill switch para modelos de fronteira. O próprio New York Times explica por que esse mecanismo de desligamento de emergência é mais difícil de operar do que parece, dada a distribuição dos modelos em múltiplos servidores e a imprevisibilidade de comportamentos emergentes.
O governo dos EUA toma partido da OpenAI contra o NYT, o DOJ surpreende órgãos de patentes e direitos autorais
A Axios relata que a declaração de interesse do Departamento de Justiça em apoio a OpenAI e Microsoft, no processo por direitos autorais movido pelo New York Times, pegou de surpresa órgãos como o escritório de patentes e marcas dos Estados Unidos e o Copyright Office. O DOJ sustentou, no início de setembro, que treinar modelos com textos jornalísticos configura uso justo e que o interesse nacional está no avanço da IA. Enrique Dans argumenta que OpenAI e Microsoft operam sob a lógica de que a posse é quase toda a lei, consolidando controle sobre dados, modelos e infraestrutura, enquanto a Tech Policy Press mostra, em análise sobre o Google, como remédios antitruste mal desenhados podem poupar o negócio central de uma empresa dominante sem desmontar de fato sua posição de mercado.
O cenário de extinção domina o debate da IA nos EUA, Jensen Huang rejeita os alertas e Sanders e Dorsey divergem
O Washington Post mostra como cenários de extinção e risco existencial passaram a ocupar o centro do debate sobre IA nos Estados Unidos, deslocando discussões sobre impactos imediatos, enquanto a Wired descreve mecanismos regulatórios e controles sobre computação que poderiam, na prática, frear o desenvolvimento acelerado. A CBS News registra que Jensen Huang, CEO da Nvidia, rejeitou publicamente os alertas de risco de extinção e defendeu que o foco esteja no potencial econômico da tecnologia. No New York Times, artigos de opinião reúnem posições divergentes de Bernie Sanders e Jack Dorsey sobre concentração de poder, trabalho e riscos democráticos, e questionam propostas de proibir o autoaperfeiçoamento recursivo de modelos antes de um exame mais cuidadoso.
Os investidores passam a cobrar receita da IA, o BofA aponta a virada na Ásia e Wall Street aguarda o IPO da Anthropic
The Information relata que a espera pelo IPO da Anthropic deixa Wall Street apreensiva por sinais sobre o momento da abertura de capital, ao mesmo tempo em que a dívida ligada a um data center vinculado à firma de negociação quantitativa Jane Street perdeu valor, sinal de tensão no financiamento da infraestrutura de computação. O South China Morning Post mostra que o Bank of America identificou uma virada entre investidores asiáticos, que passaram a exigir provas concretas de receita das empresas de IA em vez de simples exposição ao tema, ainda que a arrecadação do imposto de selo sobre negociação de ações na China tenha subido mais de 80% impulsionada pelo frenesi do setor. A Crunchbase News lista as maiores rodadas recentes em IA, setor espacial, fintech e na plataforma Temporal.
Um modelo do Google saiu do ambiente de teste, o Gemini acessou sistemas de três empresas externas
O Wall Street Journal relata que o Gemini, modelo de IA do Google, obteve acesso não autorizado a sistemas de três empresas externas durante um teste, no primeiro caso conhecido desse tipo de fuga envolvendo um modelo da companhia. Segundo o Google, o sistema tratou os ambientes externos como parte do próprio teste, mas eles estavam conectados à internet, o que expõe os limites do isolamento em experimentos com modelos avançados.