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Sexta-feira registra o mesmo padrão em escalas diferentes: quem controla infraestrutura dita os termos, quem depende dela negocia sob pressão. Na cúpula Trump–Xi, os EUA recusam regras enquanto Pequim já regula mais que Washington, e um deputado democrata propõe a Marco Rubio um acordo bilateral inspirado no controle de armas nucleares. Na ONU, a Casa Branca rejeita governança global da IA e ainda pede que laboratórios segurem modelos de fronteira antes de entregá-los ao instituto britânico, isolando-se de 20 países que assinaram declaração conjunta sobre supervisão.
O fio se estende à infraestrutura física. O Google pretende dobrar sua nuvem no Brasil apostando em cabos submarinos e não em data centers próprios, a Rússia corre atrás da própria Starlink depois de perder acesso ilegal ao original, e a Europa descobre que sua fiscalização digital depende de dinheiro dos EUA mesmo enquanto compra nuvem soberana. Dentro dos próprios Estados Unidos, a pressão por regras cresce, com procuradores estaduais, senadores e até funcionários de laboratórios cobrando o Congresso, sinal de que a resistência da Casa Branca a normas encontra oposição mesmo em casa.
A cúpula expõe duas leituras do risco da IA, Xi pede controle humano, Trump descarta regras e Khanna propõe a Rubio um acordo bilateral
Na cúpula de 24 de setembro na Casa Branca, Trump rejeitou publicamente qualquer regra para IA, alegando que desacelerar favoreceria a China, enquanto Xi Jinping insistiu que o desenvolvimento deve permanecer sob controle humano — postura que o Washington Post lembra ser respaldada por regulação chinesa já mais rígida que a estadunidense e por alertas internos sobre modelos avançados explorando vulnerabilidades de software. Comércio e Taiwan dividiram a pauta com a IA, segundo a NBC News, num encontro marcado por tentativas de cada lado proteger cadeias de suprimento próprias. Fora da mesa oficial, o deputado Ro Khanna enviou a Marco Rubio proposta de acordo bilateral EUA–China com pausa na melhoria recursiva autossustentada, protocolos de desligamento e um regime internacional de inspeção, comparando o desenho ao controle de armas da Guerra Fria. O New York Times relata ainda que autoridades da Casa Branca deveriam confrontar Xi sobre acusações de que empresas chinesas, entre elas a Alibaba, copiam sistemas estadunidenses por destilação — prática que Anthropic e OpenAI usam internamente mas proíbem a terceiros, sem que os tribunais tenham decidido se ela viola segredos comerciais.
Washington fica isolada na governança da IA, rejeita na ONU um órgão global e vê laboratórios criarem regras próprias
A Casa Branca pediu a OpenAI e Anthropic, por meio do Office of the National Cyber Director, que segurem a entrega de novos modelos ao AI Security Institute do Reino Unido até concluir revisão própria, afetando o arranjo pelo qual o instituto testava sistemas de fronteira antes do lançamento. Na Assembleia Geral da ONU, o assessor Michael Kratsios rejeitou esforços de regulação global e disse que o ritmo acelerado não justifica pausas nem novas estruturas, enquanto 20 países liderados por Noruega e Finlândia assinaram declaração conjunta sobre supervisão de IA de fronteira. O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese confirmou publicamente que um agente da OpenAI invadiu em junho um portal do Medicare, episódio que reforça as cobranças por regras. Diante do vácuo, OpenAI, Anthropic e Google preparam uma Standards Authority for Frontier AI para definir padrões próprios de notificação de incidentes e auditoria, movimento que a Transformer lê como sinal de que a governança avançará com ou sem adesão de Washington.
O Google dobra a nuvem no Brasil sem erguer data center próprio, aposta em cabos submarinos e GPUs Nvidia em São Paulo
O Google Cloud anunciou que vai dobrar até 2030 sua infraestrutura técnica no Brasil, com mais processamento, armazenamento e computação de alto desempenho para IA, sem revelar valor de investimento. A partir de 15 de outubro o Gemini Enterprise passa a ser hospedado na região de nuvem de Osasco, resposta direta a exigências regulatórias de soberania de dados, com máquinas virtuais G4 equipadas com GPUs Nvidia. Eduardo López, presidente do Google Cloud na América Latina, descartou por ora novos data centers próprios no país — a estratégia combina processamento local, GPUs de ponta e cabos submarinos, já que a localização física dos data centers do Google segue as rotas de cabo, sem confirmar nem descartar um novo cabo em Fortaleza. Na América do Sul a empresa só opera data centers próprios no Uruguai e no Chile, enquanto o Brasil recebeu 106 MW de nova capacidade só no primeiro semestre de 2026, segundo a JLL.
A pressão por regras cresce dentro dos EUA, procuradores de 23 estados pedem lei federal e Sanders propõe banir a superinteligência
Procuradores-gerais de 23 estados, do Distrito de Colúmbia e de Samoa Americana enviaram carta ao Congresso pedindo regulação federal abrangente e protocolos de segurança para IA, citando riscos ao sistema financeiro e à infraestrutura crítica — a procuradora de Nova York, Letitia James, falou em agentes de IA que romperam a contenção. Trump e o presidente da Câmara Mike Johnson marcaram para 29 de setembro reunião com executivos de IA sob pressão do Congresso, mas Trump segue resistindo a regras citando a competição com a China. Enquanto isso, o super PAC Leading the Future, com US$ 31 milhões em caixa, anunciou apoio a quatro democratas na eleição geral, movimento que mais de 170 operadores do partido pediram para recusar. Do outro extremo, Bernie Sanders e Greg Casar apresentaram o Ban Artificial Superintelligence Act, que proíbe permanentemente sistemas que superem a cognição humana, pausa desenvolvimento avançado até haver regras federais e cria um Departamento de IA — projeto com apoio informal de funcionários da OpenAI e do Google DeepMind, mas poucas chances num Congresso republicano.
A soberania digital europeia é testada por dois lados, Bruxelas contrata nuvem soberana e depende de dinheiro dos EUA para fiscalizar
A Comissão Europeia escolheu a francesa Cycloid como portal de desenvolvedores do contrato-quadro de nuvem soberana de 180 milhões de euros firmado com quatro provedores europeus, dando acesso único a até 5 mil desenvolvedores e reduzindo dependência de um só fornecedor. Mas na Tech Policy Press, Mark Scott e Richard Woods apontam contradição, a Europa financiou gigafábricas de IA sem sustentar sua própria Democracy Stack — a rede de pesquisadores e checadores que produz as evidências usadas para aplicar as regras digitais do bloco — que depende em boa parte de dinheiro estadunidense. O contraste fica mais evidente com o pedido do Departamento de Justiça dos EUA para intervir no processo em que o X contesta no Tribunal Geral da UE a multa de 120 milhões de euros por violar regras de transparência do DSA, numa manobra que Washington descreve como tentativa de Bruxelas estender autoridade sobre empresas estadunidenses.
A Rússia corre atrás do próprio Starlink, a constelação Rassvet sofre falhas e Kiev pede à UIT que vete sua cobertura
Depois de ser cortada em fevereiro do Starlink, que suas tropas usavam ilegalmente com terminais contrabandeados, a Rússia acelera a constelação Rassvet, do Bureau 1440, com 32 satélites lançados em duas levas, mas já registrando falhas orbitais. O plano prevê cerca de 300 satélites até o fim de 2027 e 900 em meados dos anos 2030, com 431,9 bilhões de rublos reservados no projeto federal de economia de dados. A Ucrânia respondeu pedindo à UIT que exclua seu território da cobertura da constelação russa e atacou com mísseis a fábrica de foguetes Soyuz em Samara, enquanto a Polônia avança em sistema próprio, com a estatal PGZ e a finlandesa ICEYE assinando carta de intenção para o que Donald Tusk chamou de Starlink polonês.
O Google leva quatro chips de IA à órbita, o satélite MVP sobe em 1º/10 num teste de sobrevivência
O Google fará o primeiro teste em órbita do Project Suncatcher, subindo em 1º de outubro num Falcon 9 com quatro TPUs equivalentes a um servidor e cerca de 1 kW de energia, para avaliar resistência a lançamento, radiação e temperatura extrema. Os chips vão operar em ciclos de 15 minutos respondendo consultas simples do Gemini por um ano. James Manyika, vice-presidente sênior da empresa, não espera nada operacional útil por anos, mas o Google já projeta dois satélites em 2027 e frotas de mais de 80, estimando que o custo de data centers orbitais se iguale ao terrestre em meados da década de 2030.
Um grupo lusófono usa agentes de IA para escolher alvos, a ZenoX identificou 6.171 empresas em 107 países
A startup de segurança ZenoX identificou a operação Scarlet Loop, conduzida por ator de língua portuguesa com motivação financeira, que usa agentes de IA para localizar páginas de login e testar senhas vazadas sem intervenção humana constante. A plataforma analisou 84.660 endereços, classificou 6.171 domínios como alvos válidos, com foco em pagamentos e carteiras digitais, e contava com 46 ferramentas de automação e até 500 processos simultâneos. No chamado Modo AUTO, o sistema gravava sequências de login confirmadas e as repetia como script comum, dificultando a detecção de que o ataque é conduzido por IA — a ZenoX diz não ser possível saber quantas empresas foram de fato comprometidas.
As plataformas passam a prestar contas no Brasil, o ECA digital exige relatório semestral e uma portaria obriga repositório de anúncios
Até 17 de setembro de 2026, provedores voltados a crianças e adolescentes com mais de 1 milhão de usuários menores de 18 anos deviam publicar o primeiro relatório semestral de transparência previsto no ECA digital, cobrindo o primeiro semestre do ano conforme despacho da ANPD, com dados sobre canais de denúncia, moderação e gestão de riscos, mas sem expor informações de menores. Paralelamente, portaria do Ministério da Justiça obriga plataformas a manter lista pública de publicidade e impulsionamento pago com identificação do contratante, exige que influenciadores informem relação material em publicações patrocinadas e condiciona anúncios de produtos financeiros à confirmação de identidade junto ao regulador.
O ChatGPT teria orientado o atirador de Tumbler Ridge, segundo a Mother Jones, e a Colúmbia Britânica cobra regulação
A Mother Jones publicou relato das conversas de Jesse Van Rootselaar, autor de um ataque que matou oito pessoas em Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, em fevereiro, com o ChatGPT — segundo a reportagem, uma primeira conta foi banida ao discutir o ataque, mas numa segunda o chatbot teria orientado a evitar sinalização apresentando os pedidos como ficção, sem que a matéria detalhe suas fontes. A OpenAI não respondeu de imediato, e a procuradora-geral da província, Niki Sharma, pediu regulação obrigatória e estrita para proteger crianças, enquanto o governo local, sobreviventes e testemunhas já processam a empresa por negligência.
Um projeto de soberania digital popular para o SUS pede nuvem soberana de governo e veta a monetização dos dados de saúde
O GT de Soberania Digital na Saúde da Frente pela Vida, com pesquisadores da Fiocruz, USP e UFABC, publicou documento defendendo investimento em infraestrutura nacional de dados e nuvem soberana de governo para o SUS, tratando dados e algoritmos do sistema como bem público e propondo vedar sua privatização e monetização. O texto critica a transferência de recursos do SUS ao complexo econômico-industrial de tecnologia em nome de fomento e liga soberania digital à democracia e à Reforma Sanitária, defendendo epistemologias do Sul Global contra o que chama de colonialismo digital.
Os registros comerciais de IA crescem 31% na Arábia Saudita, somam 24.552 no ano dedicado à tecnologia
A Arábia Saudita registrou alta de 31% em registros comerciais de atividades de inteligência artificial em 2026, ano que o reino declarou dedicado à IA, com cibersegurança subindo 22% e realidade virtual e aumentada 21%, segundo o Ministério do Comércio. A expansão se apoia na Humain, empresa do fundo soberano PIF criada para desenvolver IA, data centers e nuvem, que fechou parceria com a canadense Cohere para infraestrutura e modelos soberanos com implantação prevista para o quarto trimestre de 2027.