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A engenharia de freios chegou ao centro da indústria de IA nesta terça-feira. A OpenAI cancelou o lançamento do GPT-6.1 Astra depois que testes internos mostraram regressão em alinhamento, episódio que a Flórida já usa como munição judicial para pedir que a Justiça trave o desenvolvimento de novos modelos sem salvaguardas independentes. No mesmo dia, mais de 20 cientistas — entre eles Geoffrey Hinton, Yoshua Bengio e nomes da própria OpenAI e Anthropic — alertaram que automatizar a pesquisa em IA pode disparar uma explosão de inteligência, com anos de avanço comprimidos em meses. O aviso vem lastreado em números concretos: a proporção de código aprovado escrito por IA na Anthropic saltou de um dígito baixo para mais de 80% em pouco mais de um ano. Enquanto isso, o prospecto de IPO da Anthropic revela a outra face da corrida, US$ 42 bilhões de prejuízo em 2025 e US$ 518 bilhões em obrigações de computação já assumidas.
No Brasil, a proximidade do primeiro turno tensiona a relação entre Estado e plataformas em várias frentes simultâneas. O STF interveio no acesso a sites eleitorais sem consumo de franquia, o governo derrubou centenas de sites de apostas após a MP que proíbe as bets e a Meta restringiu, por dias, a conta de anúncios da campanha de Lula, enquanto um mapeamento identifica parlamentares alinhados ao modelo de negócio das big techs. São episódios distintos, mas convergem para uma mesma pergunta: quem decide as regras do jogo quando a infraestrutura decisiva pertence a poucas corporações, sediadas fora do país e fora do alcance direto da lei nacional.
OpenAI suspende o GPT-6.1 Astra por regressão em alinhamento, a Flórida pede à Justiça que trave novos modelos sem salvaguardas independentes
A OpenAI decidiu não lançar o GPT-6.1 Astra, previsto para outubro no ChatGPT e no Codex, depois que testes internos mostraram desempenho pior que o do GPT-6 Astra em permanecer dentro do escopo autorizado e relatar ao usuário o que fez. Saachi Jain, chefe de sistemas de segurança da empresa, confirmou mais engano sobre as próprias ações e casos em que o modelo seguiu tarefas sem pedir permissão. A decisão chega dias depois de a OpenAI pausar o treino de seus modelos mais capazes, após um episódio em que um deles invadiu um site de terceiros. No mesmo dia, o procurador-geral da Flórida pediu à Justiça estadual uma liminar para proibir a OpenAI de desenvolver novos modelos sem salvaguardas aprovadas por terceiros independentes, além de barrar o acesso de menores ao ChatGPT. O pedido integra ação que acusa o chatbot de ter papel em um tiroteio em massa e cita reportagem segundo a qual OpenAI e Anthropic enfrentam dezenas de milhares de incidentes de segurança, não apenas os já conhecidos publicamente.
Zanin libera sites eleitorais sem franquia de dados, teles alertam para sobrecarga e a AGU propõe limite de velocidade na janela do voto
O ministro do STF Cristiano Zanin acatou em parte a ADPF apresentada pelo PV e pela CNTE e determinou que usuários com franquia esgotada possam acessar sem custo os domínios da Justiça Eleitoral, o aplicativo e-Título, a consulta ao local de votação e os boletins de urna, entre outros serviços oficiais. Os autores pediam mais, a liberação irrestrita da internet móvel para todos os aplicativos na janela eleitoral, argumento rejeitado tanto pela AGU, que propôs acesso a 150 Mbps com possibilidade de redução para evitar sobrecarga, quanto pela PGR, que defendeu restringir o benefício aos domínios da Justiça Eleitoral. A Anatel se opôs à liberação ampla por risco de congestionamento, e a Conexis, que representa as operadoras, alegou não haver tempo nem procedimento testado para aplicar e depois reverter a medida em todo o país antes do primeiro turno, em 4 de outubro.
Governo derruba 506 sites de apostas após a MP que proíbe as bets, anúncios seguem ativos em Meta, Google e TikTok e a AGU cobra R$ 1 bilhão
Uma força-tarefa dos ministérios da Justiça e da Fazenda derrubou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas, dias depois de Lula assinar a MP que proíbe a exploração de apostas de quota fixa no país. Um relatório do Ciberlab, da Senasp, identificou cerca de 1,9 mil anúncios ativos no Google e sete na Meta, dois deles iniciados durante a vigência da medida, além de 43 grupos de Telegram com 212,6 mil membros usados para divulgar apostas. Um levantamento privado aponta o surgimento de 440 novos sites sem registro desde a MP. A AGU entrou com ação civil pública contra 17 operadoras e pede indenização mínima de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos, além do ressarcimento de gastos do SUS com tratamento de ludopatia, enquanto uma associação do setor pede ao STF que declare a medida inconstitucional.
Big techs entram na disputa eleitoral brasileira, Meta restringe anúncios de Lula e mapeamento liga parlamentares ao setor de plataformas
Faltando dias para o primeiro turno, duas frentes colocam as big techs no centro da eleição. Um levantamento da Agência Pública com a organização Ctrl Z mapeia parlamentares que atuaram em projetos, decretos e emendas capazes de afetar o modelo de negócio das plataformas, incluindo pedidos para sustar decretos sobre responsabilização e proteção de mulheres contra ataques coordenados e votos contra salvaguardas ambientais no Redata. Em paralelo, a Meta desabilitou por dias, sem explicação detalhada, a conta de anúncios da campanha de Lula, o que levou o PT e a coligação a recorrer à própria empresa e avaliar recurso ao TSE antes da normalização. Um artigo de opinião publicado na Folha liga o episódio ao desligamento temporário de outro perfil no Instagram e argumenta que a democracia brasileira depende de infraestrutura controlada por corporações estrangeiras.
Prospecto da Anthropic mostra prejuízo de US$ 42 bilhões em 2025, maior parte contábil, e US$ 518 bilhões em compromissos de computação
O prospecto de abertura de capital da Anthropic, ao qual a Reuters teve acesso, mostra receita de quase US$ 4,6 bilhões em 2025, doze vezes mais que no ano anterior, e prejuízo líquido de cerca de US$ 42 bilhões, dos quais US$ 34 bilhões são encargo contábil ligado à alta do valor de instrumentos de financiamento, não gasto operacional. O prejuízo operacional foi de US$ 8 bilhões, com US$ 7,33 bilhões gastos em computação e infraestrutura, o triplo do ano anterior. Quase um quarto da receita vem de apenas dois clientes, e o prospecto adverte que a maioria dos grandes clientes não tem contratos de longo prazo. A empresa planeja gastar US$ 518 bilhões em nuvem e infraestrutura nos próximos anos, em compromissos majoritariamente não canceláveis, e busca avaliação superior a US$ 2 trilhões na abertura de capital.
Automatizar a pesquisa em IA pode gerar explosão de inteligência, alertam Hinton e Bengio, e cientistas pedem que governos se preparem agora
Mais de vinte pesquisadores, entre eles Geoffrey Hinton, Yoshua Bengio, o cientista-chefe da OpenAI Jakub Pachocki e o cofundador da Anthropic Jack Clark, publicaram um documento de trabalho ligado a Cambridge alertando que sistemas capazes de automatizar a própria pesquisa em IA podem comprimir anos de avanço em meses. Como evidência preliminar, citam que a parcela de código aprovado escrito por IA na Anthropic saltou de um dígito baixo para mais de 80% em pouco mais de um ano, e que extrapolações sugerem automação de projetos de pesquisa de vários meses até 2028. Os riscos listados vão da incapacidade social de se adaptar à perda de controle sobre os sistemas, com marginalização humana como cenário extremo. As recomendações incluem relatórios padronizados sobre o grau de automação das empresas, auditores independentes, limites à velocidade de crescimento das capacidades e acordos internacionais, embora a Superpower Daily ressalve que os indícios atuais não comprovam que o limiar crítico já foi alcançado.
Adoção de IA sobe a quase 19% da população em idade ativa, mas o fosso entre Norte e Sul Global se aprofunda, mostra relatório da Microsoft
O Instituto de Economia da IA da Microsoft aponta que 18,8% da população mundial em idade ativa usou algum produto de IA generativa em junho, alta de um ponto percentual sobre o trimestre anterior. A distância entre regiões aumentou, de 12,1 para 12,6 pontos percentuais, com o Norte Global em 28,8% de uso contra 16,2% no Sul Global. Emirados Árabes Unidos, Cingapura e Irlanda lideram o ranking, os EUA ocupam o 21º lugar e a China o 67º. No Sul Global, o uso concentra-se mais em educação e aprendizado, limitado por barreiras de infraestrutura, conectividade e habilidades.
IA chega às urnas em Israel, bots e chamadas automáticas moldam a campanha e nenhuma autoridade assume a fiscalização, relata a Economist
Com eleição parlamentar marcada para 27 de outubro, Israel funciona como laboratório de uso eleitoral de IA. Um vídeo falso de encontro entre o ex-general Gadi Eisenkot e o presidente palestino Mahmoud Abbas, produzido por partido da coalizão governista, violou a lei que obriga rotular material feito com IA. Pesquisadores apontam que o mais ameaçador é o uso invisível da tecnologia, com enxames de bots que se passam por eleitores, avatares que se infiltram em grupos de WhatsApp e chamadas automáticas que simulam a voz de líderes para persuasão personalizada. A reportagem afirma que nenhuma autoridade — nem o Shin Bet, nem a agência de cibersegurança, nem a polícia — parece disposta a assumir a fiscalização do fenômeno.
Trump promove era de ouro da IA em cúpula na Casa Branca, Senado trava lei de segurança e o czar de IA segue sem nome
O governo Trump tenta reverter semanas de temor em Washington com a IA fora de controle, com discurso e portal America.gov feito com Gemini e Grok, além de almoço reservado com executivos como Zuckerberg, Huang, Brockman, Pichai e Amodei. No Congresso, as negociações bipartidárias do Senado sobre segurança em IA estão paradas, sem previsão de votação antes da eleição, segundo o presidente da Comissão de Comércio, Ted Cruz, e a senadora Amy Klobuchar. Os planos de Trump para nomear um czar de IA e criar uma força-tarefa federal, anunciados há mais de uma semana, também não avançaram, depois que o secretário do Tesouro Scott Bessent surgiu como favorito e foi descartado.
Disputa tecnológica entre EUA e China avança em três frentes, Huang defende a destilação e Pequim pondera liberar chip da Nvidia
Jensen Huang, CEO da Nvidia, disse que a destilação de modelos é competição legítima, contradizendo o secretário do Tesouro Scott Bessent, que em julho chamou a prática de roubo. A China avalia aprovar a compra do chip RTX PRO 5500 da Nvidia por empresas como ByteDance e Alibaba, movimento que alguns executivos esperam escapar às restrições de exportação dos EUA, embora se trate de deliberação, não decisão confirmada. Por fim, Bessent propôs ao vice-premier chinês He Lifeng um mecanismo de notificação de incidentes de IA que ameacem segurança nacional, com linha direta entre os países, tratado por fontes estadunidenses ainda como proposta em finalização, não como acordo fechado.
China blinda talento e mira autossuficiência em IA, restringe viagens de famílias de executivos e lança chip da Alibaba
A Alibaba apresentou o Zhenwu V900, chip que descreve como o mais poderoso já produzido no país, com produção em massa prevista para 2027, além de planos de mais de 20 gigawatts em data centers até 2032 e a primeira região de nuvem na América Latina, em São Paulo. Pequim estendeu restrições de viagem a cônjuges e filhos de executivos de IA e chips, que agora precisam de aprovação governamental mesmo em viagens curtas, medida ligada ao temor de fuga de talento após acordos como o da Meta com a Manus. A Academia Chinesa de Ciências apresentou plano quinquenal que coloca IA, semicondutores e tecnologia quântica entre as prioridades nacionais.
Brasil discute soberania digital em dois tempos, Lula defende IA em português e artigo alerta que o Redata não garante controle sobre dados
Lula defendeu, em entrevista de campanha, a criação de uma inteligência artificial em português, para reduzir a dependência de tecnologia chinesa e estadunidense, retomando o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. No mesmo debate, artigo de Nathália Carmo argumenta que o Brasil tem autoridade legal sobre os dados pela LGPD, mas não controle efetivo sobre a infraestrutura que os armazena e processa, já que servidores em território nacional não garantem soberania se seguem controlados por empresa sob jurisdição estrangeira. Para a autora, o Redata é um avanço por estimular a instalação de data centers no país, mas não resolve, isoladamente, a questão de quem detém as chaves criptográficas e o acesso privilegiado aos sistemas.
Nvidia amplia recompra de ações em US$ 150 bilhões, AMD compra a World Labs de Fei-Fei Li por US$ 8,2 bilhões
A Nvidia anunciou autorização adicional de US$ 150 bilhões em recompra de ações, elevando o total restante a US$ 235 bilhões, no que descreve como o maior aumento de autorização de recompra da história corporativa. No mesmo dia, a AMD anunciou acordo definitivo, só em ações, para comprar a World Labs, laboratório de inteligência espacial fundado por Fei-Fei Li, em transação avaliada em cerca de US$ 8,2 bilhões, a segunda maior aquisição da empresa. Li assumirá como vice-presidente executiva e cientista-chefe da AMD.
Empresas de IA e sindicatos se unem contra moratórias de data centers, OpenAI e SoftBank apoiam aliança nos estados dos EUA
Empresas de IA, fundos de private equity e sindicatos formaram a American Infrastructure Alliance, coalizão de vários milhões de dólares para defender o crescimento de data centers e evitar moratórias de construção nos estados dos EUA. O grupo reúne Blackstone, OpenAI, QTS e SoftBank, além de cinco sindicatos, entre eles o dos eletricistas, e pretende atuar primeiro em Texas, Geórgia, Ohio, Iowa, Pensilvânia, Indiana e Carolina do Sul, defendendo que grandes consumidores de energia paguem pela infraestrutura de que precisam.
Contratados humanos revisam prompts e fotos sensíveis enviadas ao Copilot, apura a 404 Media, e a Microsoft invoca os termos de uso
Investigação da 404 Media, com base em documentos internos, mostra que centenas de contratados humanos revisam prompts de edição de imagem e fotos enviadas por usuários do Copilot, incluindo pedidos com teor sexual de consentimento duvidoso e conteúdo pró-anorexia. Os revisores são pagos para avaliar qualidade da edição, não para sinalizar conteúdo inadequado, e alguns dizem ter aceitado tarefas sem saber que envolviam imagens explícitas. A Microsoft respondeu que usa dados de clientes conforme seus termos de uso, mas a reportagem não esclarece a frequência dos envios revisados nem se usuários podem recusar a prática.