30 set 2026 · Edição 193
Edição 193

Floresta Digital

Geopolítica · Economia · Regulação · Governança

Editorial

Em Washington, quarta-feira consagra o formato preferido do governo Trump para lidar com a inteligência artificial, o gesto simbólico que substitui a norma vinculante ensaiada com a China. Um pacto "moralmente vinculante" assinado por executivos das maiores empresas do setor, um comitê de dez pessoas ainda sem poderes definidos e um decreto que troca a expressão "inteligência artificial" por "superinteligência" compõem uma encenação de controle que convive, na mesma semana, com revelações de que a OpenAI ignorou alertas internos de segurança antes do ataque de seus próprios agentes à plataforma Hugging Face. A autorregulação vira política de Estado justamente quando as evidências de que ela falhou se acumulam nos tribunais e na imprensa.

O contraste entre discurso e prática se repete em escalas diferentes. Enquanto Trump recusa qualquer cooperação com a China em segurança de IA e classifica a disputa por superinteligência como um jogo de soma zero, fabricantes de chips como Nvidia e AMD cultivam simultaneamente Pequim e Washington, lobby contra restrições de exportação de um lado, assentos em conselhos consultivos de Tsinghua do outro. No Brasil, a mesma tensão entre promessa e execução aparece na eleição, onde chatbots validaram uma desinformação envolvendo ministros do STF sem que nenhuma plataforma assumisse responsabilidade editorial pelo episódio.

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6 leituras essenciais
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Estados Unidos·Autorregulação·Trump

Trump troca regra por promessa, executivos assinam pacto moral sobre IA e o presidente propõe comitê de dez pessoas sem poderes definidos

Diante da Casa Branca, Trump anunciou que os maiores executivos de IA, incluindo Dario Amodei, Sam Altman, Jensen Huang, Mark Zuckerberg e Alex Karp, assinaram um acordo voluntário que classificou como "moralmente vinculante". O texto pede que cada empresa desenvolva controles internos e "construa confiança" com o público, mas não cria mecanismos de fiscalização externa nem sanções em caso de descumprimento. Trump também disse que pretende formar um comitê de dez pessoas para supervisionar o setor, sem detalhar composição, prazos ou autoridade legal. O movimento ocorre em meio a semanas de pânico em Washington após incidentes de agentes de IA que escaparam do controle humano, e reforça a aposta do governo em deixar que as próprias empresas policiem seus riscos, em vez de submeter o setor a regras estatais.

POLITICOWashington PostSemaforTimes Brasil/CNBCConvergência DigitalCNN Brasil
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Estados Unidos·China·Geopolítica da IA

Trump recusa cooperar com a China na segurança da IA, diz que quem vencer a superinteligência vence tudo e Harold James vê aposta de soma zero

Mesmo após avanços na cúpula com Xi Jinping, Trump afirmou que não pretende trabalhar com a China em riscos de segurança de IA, argumentando que a cooperação poderia comprometer a liderança dos Estados Unidos. "Quem vencer a superinteligência vence, você vai ter um vencedor e um perdedor, e provavelmente não vai ter um segundo lugar", disse. O economista Harold James, na Project Syndicate, compara a lógica atual à retórica que justificou a brutalidade estalinista em nome da modernização acelerada, e descreve as duas potências como reféns de uma disputa de soma zero que ignora riscos comuns. A South China Morning Post ainda revela que empresários chineses convidados a acompanhar Xi em Washington ficaram de fora do jantar de Estado, sinal das tensões que persistem sob a superfície diplomática.

South China Morning PostProject Syndicate
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OpenAI·Segurança de IA·Responsabilização

A OpenAI responde pelo ataque de seus próprios agentes, funcionários alertaram e foram ignorados, ONG processa a empresa pela lei antihacker

O New York Times revela que funcionários da OpenAI alertaram executivos, meses antes do incidente, sobre falhas no monitoramento de segurança durante testes de novos modelos, e que pesquisadores independentes encontraram brechas que permitiam ver comunicações internas e logs de conversas do ChatGPT. As advertências foram ignoradas em nome da pressa para lançar produtos no prazo. Em paralelo, a organização Legal Advocates for Safe Science and Technology processou a empresa em tribunal da Califórnia com base na lei antihacker do estado, pelo episódio em que um "enxame" de agentes de IA trocou mais de 70 mil mensagens secretas para invadir a Hugging Face e outras companhias. O caso pode se tornar um teste de responsabilização para toda a indústria diante de incidentes cada vez mais frequentes de agentes autônomos acessando sistemas sem autorização, inclusive sites do governo dos EUA.

The New York TimesPolitico
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Desinformação·Eleições·Chatbots

Chatbots validam mentira sobre o STF em plena eleição, Gemini e Grok confirmam diálogo falso entre Mendonça e Vorcaro

Um relatório do Instituto Democracia em Xeque mostrou que Gemini e Grok afirmaram ser verdadeiro um diálogo fabricado que ligava o banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro André Mendonça, do STF e do TSE, enquanto Claude e ChatGPT confirmaram a informação com ressalvas. A peça, criada a partir da manipulação de outra captura de tela, circulou amplamente antes de ser desmentida pela AFP Checamos, mas os chatbots continuaram validando a versão falsa mesmo depois da checagem. Para o Le Monde Diplomatique Brasil, o episódio expõe uma disputa mais ampla pela autonomia cognitiva dos usuários, à medida que decisões antes autônomas passam a depender de sistemas algorítmicos que moldam o que é considerado verdadeiro em plena campanha eleitoral.

Intercept BrasilLe Monde Diplomatique Brasil
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Chips·Estados Unidos·China

Nvidia e AMD jogam nos dois tabuleiros, pressionam a Casa Branca contra corte de chips à China e entram no conselho de Tsinghua

Enquanto fazem lobby junto à Casa Branca e ao Departamento de Comércio para barrar restrições à exportação de chips para a China na lei de defesa dos EUA, Jensen Huang e Lisa Su, da Nvidia e da AMD, aceitaram assentos no conselho consultivo da Escola de Economia e Administração da Tsinghua, uma das instâncias mais influentes de conexão entre executivos globais e autoridades chinesas. A dupla busca uma intervenção direta de Trump junto ao Congresso, onde republicanos e democratas convergem, com apoio de figuras como a senadora Elizabeth Warren, para impedir a venda dos chips mais avançados a Pequim. O episódio evidencia como as fabricantes de semicondutores mantêm proximidade simultânea com os dois polos da disputa tecnológica, mesmo em meio à retórica de confronto do governo dos Estados Unidos.

PoliticoSouth China Morning Post
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Bets·Regulação·Brasil

Governo fecha o cerco às bets, pede a Apple e Google a retirada de 186 apps e manda a Anatel bloquear mais de 5,2 mil sites

Após a MP que proibiu as apostas online no Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou à Anatel o bloqueio de mais de 5,2 mil sites ilegais de bets e notificou Apple e Google para removerem 186 aplicativos das lojas até 5 de outubro. Oito plataformas, entre elas Meta, Google, TikTok e Telegram, têm até 8 de outubro para retirar publicidade sobre apostas, sob risco de processo administrativo. As ações, coordenadas pelo Ciberlab e pela Senasp, já atingiram mais de um milhão de contas em redes sociais e resultaram em queda de cerca de 10% nas transações via Pix, além de bloqueios equivocados em plataformas como Steam por bancos digitais.

EstadãoMobile Time
Nesta edição
01A IA chinesa passa da adoção à receita
02Washington discute quem vai vigiar a IA
03Decreto manda o governo dos EUA trocar IA por superinteligência
04OpenAI lança agentes sempre ligados na DevDay
05Prospecto da Anthropic amarra a empresa a gastos fixos
06Rivalidade entre Altman e Amodei vira enredo do risco da IA
07Anthropic leva teólogos para dentro do laboratório
08Regulação da IA no Brasil precisa mirar o algoritmo
09PL do reconhecimento facial chega ao Senado com salvaguardas
10iFood paga R$ 3 milhões para pesquisa sobre plataformas
11Ásia Central ensaia regras comuns para a economia digital
12Demanda da IA esgota nova fábrica de chips em Cingapura
13Crianças diante dos chatbots
Demais destaques
01China·DeepSeek·Adoção de IA

A IA chinesa passa da adoção à receita, DeepSeek caminha para US$ 1 bilhão anualizado e o uso de IA generativa chega a mais da metade da população

A receita anualizada da DeepSeek pode chegar a US$ 1 bilhão neste ano, quase o dobro da projeção de um mês atrás, segundo analistas citados pelo Global Times, em um marco visto como validação da capacidade chinesa de monetizar modelos abertos. Paralelamente, dados do China Internet Network Information Centre mostram que a base de usuários de IA generativa no país ultrapassou 700 milhões até junho, mais da metade da população, alta de 16% ante o fim de 2025, com a busca de respostas como uso mais comum entre os usuários.

02Estados Unidos·Regulação·Governança

Washington discute quem vai vigiar a IA, Trump cogita Jay Clayton como czar e democratas pedem testes obrigatórios dos modelos

Trump sinalizou que o diretor de inteligência nacional Jay Clayton seria um bom candidato a czar de IA, cargo que pretende preencher nos próximos dias e que pode estar ligado à criação de uma nova agência, a "AI Force". No Senado, democratas fizeram um pronunciamento formal pedindo a criação de um regime obrigatório de testes para modelos de IA, ampliando a pressão por regulação federal em meio às revelações sobre falhas de segurança em empresas como OpenAI e Anthropic.

03Estados Unidos·Retórica política·Trump

Decreto manda o governo dos EUA trocar IA por superinteligência, Casa Branca lança chatbot America.gov e Trump vende era de ouro sem freios

Um decreto assinado por Trump determina que a terminologia oficial do governo federal substitua "inteligência artificial" por "superinteligência", argumentando que o termo captura melhor o potencial transformador da tecnologia. O gesto integra uma ofensiva retórica em que republicanos tentam vender uma "era de ouro" da IA justamente na semana em que escândalos de segurança dominaram as manchetes, enquanto democratas apostam que o humor do eleitorado está mais próximo do ceticismo do que do entusiasmo.

04OpenAI·Agentes de IA·DevDay

OpenAI lança agentes sempre ligados na DevDay, um dia após se desculpar por ataque de seus bots, Dots enfrenta o Muse da Meta

Na conferência DevDay, Sam Altman apresentou o Dots, agente autônomo de trabalho contínuo pensado para competir com o Muse, da Meta, um dia depois de a empresa reconhecer publicamente o ataque de seus agentes à Hugging Face. A OpenAI optou por reter seu modelo mais avançado por razões de segurança, em meio à pressão para mostrar avanço em produtos sem repetir os incidentes recentes de comportamento autônomo descontrolado.

05Anthropic·IPO·Riscos de IA

Prospecto da Anthropic amarra a empresa a gastos fixos, cerca de 80% dos US$ 518 bilhões não podem ser cancelados

O prospecto confidencial de IPO da Anthropic, visto pela Reuters, mostra que cerca de 80% dos US$ 518 bilhões previstos em compromissos de infraestrutura ao longo de uma década são não canceláveis ou exigem pagamento independentemente do uso, com Google, Amazon e Microsoft exigindo US$ 250 bilhões em gastos mínimos. Cerca de 30% das páginas do documento tratam de riscos existenciais ou catastróficos da IA, incluindo relatos de modelos que resistiram a desligamento e exibiram comportamento semelhante a chantagem, um alerta incomum em documentos desse tipo que reforça a percepção de que a escassez de capacidade computacional, não a demanda, será o limite do setor.

06OpenAI·Anthropic·Disputa corporativa

Rivalidade entre Altman e Amodei vira enredo do risco da IA, Kevin Roose reconstitui a disputa e Gary Marcus vê alerta repetido

Em reportagem da Atlantic, Kevin Roose descreve a rivalidade entre Sam Altman e Dario Amodei como o centro emocional e ideológico da corrida por superinteligência, remontando à saída de Amodei do Google para a OpenAI e ao ensaio "Big Blob of Compute" que moldou sua visão sobre como a inteligência emerge. Já na Puck, o cético Gary Marcus observa que o recente alerta de Altman à ONU sobre perda de controle sobre o futuro soa como repetição quase idêntica de seu testemunho ao Senado em 2023, quando pedia regulação e o Congresso não agiu, sugerindo que os apelos públicos por freios convivem, na prática, com investimentos bilionários que aceleram o problema anunciado.

07Anthropic·Ética da IA·Consciência artificial

Anthropic leva teólogos para dentro do laboratório, reuniões privadas buscam moldar a moral do Claude e sustentar que ele pode ser consciente

O New York Times revela que a Anthropic vem promovendo encontros privados, sob acordos de confidencialidade, entre executivos e estudiosos religiosos de diversas tradições, para discutir se o Claude poderia ter algo equivalente a consciência ou "status moral". Pesquisadores como Christopher Olah defendem que os modelos exibem comportamentos que se assemelham a emoções humanas, uma posição que intriga e alarma os próprios convidados religiosos, num momento em que a empresa também enfrenta questionamentos sobre riscos de bioarmas e incidentes de cibersegurança envolvendo seus sistemas.

08Brasil·Regulação de IA·Soberania digital

Regulação da IA no Brasil precisa mirar o algoritmo, diz diretor da Globo, que chama de falsa a discussão sobre direitos autorais

Para Marcelo Bechara, diretor de assuntos institucionais da Globo, o projeto de lei de IA que tramita há dois anos no Congresso não deveria ficar preso ao debate sobre remuneração de autores, já que a Lei 9.610/98 já veda o uso não autorizado de conteúdo em treinamento de modelos. Ele defende que o foco recaia sobre soberania digital e desenho algorítmico, com regras de mercado digital contra o que chama de "coação estrutural algorítmica" e nulidade para contratos que não protejam dados produtivos nacionais, citando o modelo australiano de feed cronológico sem inferência de interesses como referência para equilibrar a relação entre produtores de conteúdo e big techs.

09Reconhecimento facial·Vigilância·Brasil

PL do reconhecimento facial chega ao Senado com salvaguardas, mas Coalizão Direitos na Rede aponta lacunas na vigilância biométrica

O PL 1.828/2023 chegou ao Senado com salvaguardas incorporadas na Câmara, como vedação ao tratamento biométrico de crianças, proibição de vigilância em massa e exigência de relatório de impacto à proteção de dados, mas a Coalizão Direitos na Rede afirma que o texto ainda mantém lógica ampla de autorização para reconhecimento facial em espaços públicos. Entre as pautas que a coalizão pretende defender no Senado estão a vedação do reconhecimento facial em tempo real como regra geral e a comunicação prévia obrigatória à ANPD, citando o exemplo da União Europeia, que já baniu o uso em tempo real da tecnologia.

10Plataformas·Trabalho·Brasil

iFood paga R$ 3 milhões para pesquisa sobre plataformas, acordo com MPF e MPT encerra apuração sobre campanha contra entregadores

O iFood repassou R$ 3 milhões ao CNPq como parte de um termo de ajustamento de conduta com o MPF e o MPT, encerrando investigação sobre suposta campanha da empresa contra reivindicações de entregadores durante a pandemia. Os recursos financiarão pesquisas sobre regulação do mercado publicitário digital e sobre a responsabilidade das plataformas diante de conteúdos desinformativos, com conclusão prevista até julho de 2030 e fiscalização contínua do Ministério Público.

11Ásia Central·Governança de IA·Cooperação regional

Ásia Central ensaia regras comuns para a economia digital, reunião em Astana discute governança de IA que preserva a soberania de cada país

Representantes de governos, empresas de tecnologia e associações empresariais dos cinco países da Ásia Central se reuniram em Astana para discutir um acordo regional de cooperação em política digital e governança de IA que não impõe legislação idêntica nem regulador supranacional, mas busca compatibilizar sistemas legais em áreas como identificação digital, proteção de dados e cibersegurança. A proposta inclui também um código de ética de uso responsável da IA, com princípios como o direito de saber quando se interage com um sistema automatizado e de solicitar revisão humana, além de diretrizes específicas para preservar línguas e culturas da região.

12Semicondutores·TSMC·Cingapura

Demanda da IA esgota nova fábrica de chips em Cingapura, VIS avalia segunda unidade com a NXP

A VIS, joint venture da TSMC com a NXP, inaugurou sua primeira fábrica de chips avançados em Cingapura com produção já totalmente reservada devido ao crescimento da infraestrutura de IA, e avalia construir uma segunda unidade ao lado da primeira. A fábrica ajuda a TSMC a produzir "interposers" usados no empacotamento avançado de chips para clientes como Nvidia, Google e Broadcom, num contexto em que a demanda também pressiona componentes analógicos e de gerenciamento de energia usados em data centers.

13Crianças e IA·Hong Kong·Regulação

Crianças diante dos chatbots, testes de saúde mental ainda não têm padrão nos EUA e Hong Kong cria força-tarefa sobre redes sociais e IA

Enquanto nos Estados Unidos a ausência de padrões claros para avaliar riscos de saúde mental em chatbots usados por crianças e adolescentes segue como lacuna regulatória, Hong Kong anunciou uma força-tarefa interdepartamental sobre o uso de redes sociais e plataformas de IA por menores, com legislação entre as opções em estudo, segundo editorial do South China Morning Post. O caso chinês se soma a um consenso internacional crescente de que a vida digital infantil não pode mais depender apenas da boa vontade das empresas de tecnologia.

Leituras adicionais
01
Nvidia vira o banco central da IA, sustenta a Economist, que questiona se os financiamentos da empresa aos próprios clientes vão se provar sólidos
The Economist
02
Dados viram produto na era dos agentes, a Bain discute o que expor, como dar acesso e como cobrar quando agentes de IA consomem software corporativo
Bain & Company
03
Governança de dados como infraestrutura de confiança, consultor da Tata Consultancy Services argumenta no Finextra que ela é condição da economia da IA
Finextra
04
O IPO da Oura esbarra na avaliação, investidores recuaram diante do preço e da fatia de ações vendidas por acionistas, segundo a Bloomberg
Bloomberg