Geopolítica · Economia · Regulação · Governança
A arquitetura de poder da inteligência artificial se decide hoje em quem escreve as regras e em quem paga a conta delas. Em Washington, a Casa Branca deixa cada vez mais claro que prefere confiar a auditoria dos grandes modelos a consultorias como a Accenture, enquanto afasta as organizações de segurança que nasceram para vigiar justamente esse tipo de poder concentrado, e um conjunto de senadores tenta arrancar do governo um marco regulatório ainda mantido em sigilo. No Brasil, a disputa se desloca para a infraestrutura física, com a Microsoft avançando sobre a nuvem soberana do Serpro no mesmo momento em que negocia um contrato milionário de produtividade, e com a Rússia oferecendo satélites ao Sahel como moeda de troca por recursos minerais.
Esses dois movimentos convergem num ponto comum, o custo social de uma corrida tecnológica que concentra benefícios no topo. A escassez de chips de memória já empurra para fora do mercado os celulares mais baratos do mundo, Paul Krugman mostra como os data centers desviam crédito de outros setores da economia e levantamentos recentes confirmam que os ganhos de produtividade da IA no trabalho seguem reservados a quem já ocupa cargos de gestão. A régua que mede quem decide as regras do jogo é a mesma que mede quem fica de fora dele.
A disputa agora é sobre quem audita a IA, aliados de Trump querem trocar as ONGs de segurança por consultorias e dois senadores democratas cobram da Casa Branca o marco ainda secreto
Depois de anos de parceria entre grandes empresas de IA e organizações sem fins lucrativos ligadas ao movimento do altruísmo eficaz, aliados de Trump tentam deslegitimar esse modelo de fiscalização. O investidor David Sacks defende publicamente que auditorias sejam feitas por firmas de consultoria tradicionais, não por ONGs como a METR, que ele considera próxima demais da Anthropic para ser independente, e a Anthropic já anunciou parceria com a Accenture para montar sua própria equipe de avaliadores externos. Um funcionário do governo admite que há um esforço retórico coordenado para associar o altruísmo eficaz a riscos ideológicos, enquanto o conselheiro pró-indústria Nathan Leamer percorre o Congresso espalhando esse argumento. Em paralelo, os senadores Elizabeth Warren e Richard Blumenthal cobram da Casa Branca detalhes sobre o marco regulatório de IA assinado em junho, alegando que o texto foi moldado em segredo por um punhado de executivos bilionários, com destaque para o papel central de Mark Zuckerberg nas tratativas mais recentes, e exigem respostas até o dia 19 de outubro sobre reuniões, avaliadores independentes e o processo de testes antes do lançamento dos modelos.
A força-tarefa de IA de Trump não tem pressa de regular, o copresidente Scott Kupor defende à Axios a autorregulação das empresas e admite visões divergentes dentro do governo
Scott Kupor, copresidente da força-tarefa de "superinteligência" de Trump, afirma à Axios que o grupo prefere não correr para criar regras que fiquem obsoletas em poucos anos, mesmo sob pressão para endereçar os riscos da tecnologia. O painel reúne figuras com posições opostas, de Jay Clayton, o novo czar de IA, a David Sacks e Emil Michael, mais céticos quanto a qualquer desaceleração, enquanto Scott Bessent e Susie Wiles tentam, nos bastidores, manter algum nível de supervisão por meio do processo voluntário de revisão de modelos já usado por Anthropic, OpenAI e Google. Kupor rejeita a ideia de que a Casa Branca esteja inerte diante do tema, argumenta que uma legislação rígida traria consequências não previstas, e adianta que o grupo terá 120 dias para ouvir setores como energia, manufatura e serviços financeiros antes de recomendar qualquer caminho ao presidente, que pode incluir dividir a regulação entre diferentes agências federais.
Microsoft avança sobre a nuvem soberana do Serpro, a estatal fecha contrato de R$ 115,4 milhões por Microsoft 365 e Copilot enquanto negocia ambiente isolado e a Alibaba Cloud estreia em São Paulo
O Serpro assinou, por inexigibilidade de licitação, um contrato de R$ 115,4 milhões com a Microsoft para fornecimento do Microsoft 365 e do Copilot por três anos, no mesmo período em que negocia com a empresa uma solução isolada para sua nuvem soberana, com o presidente da estatal, Wilton Mota, admitindo "grande chance" de fechar essa parceria ainda em 2026. Documentos essenciais do contrato, como estudo técnico preliminar e termo de referência, ainda não haviam sido localizados em bases públicas cinco dias após a assinatura. A aproximação marca uma virada na postura da Microsoft, que segundo a ministra Esther Dweck chegou a chamar de "decisão jurássica" a exigência brasileira de trazer dados governamentais para dentro do país, e hoje se diz disposta a rodar e-mails e pacote Office diretamente nos servidores do Serpro, restando resolver apenas a parceria de equipamentos, já que a empresa só entrega software. No mesmo cenário de disputa por infraestrutura, a Alibaba Cloud inaugurou suas primeiras duas zonas de disponibilidade em São Paulo, parte de um compromisso global de US$ 53 bilhões em IA e computação em nuvem, embora a presença física no país não dispense as obrigações da LGPD sobre transferências internacionais de dados.
A Rússia usa a infraestrutura digital como arma e como oferta, drones atingem data centers em Kiev e acordos de satélites com o Sahel criam nova dependência
Uma onda de ataques com drones a jato russos vem atingindo data centers e nós de telecomunicações em Kiev desde 23 de setembro, deixando cerca de 100 mil residências sem internet e levando Zelensky a pedir reforço na defesa aérea, num padrão que analistas da ACLED descrevem como pressão concentrada e inédita sobre a infraestrutura digital ucraniana, que sustenta bancos e serviços públicos do país. Em outra frente, acordos de satélites entre Rússia e os países do Sahel, Mali, Burkina Faso e Níger, reunidos no recém-criado Conselho de Reguladores do Sahel, avançam sob o discurso de soberania digital e conectividade rural, mas escondem um detalhe estratégico, quem controla os dados geoespaciais usados para mapear ouro, lítio e urânio acaba decidindo quem tem a primeira vantagem em contratos de extração, levantando a dúvida sobre quem de fato será dono dessas informações se os centros de controle ficarem fora do território dos clientes.
O boom da IA cobra a conta de quem está fora dele, a escassez de chips de memória faz sumir os celulares baratos e Krugman vê os data centers expulsando outros investimentos
A demanda de data centers de IA por chips de memória está encarecendo smartphones em todo o mundo, com preços de modelos existentes subindo cerca de 15% globalmente e lançamentos novos chegando 25% mais caros que no ano anterior, segundo a Rest of World. Fabricantes chinesas, responsáveis por 60% dos aparelhos vendidos globalmente, reduziram drasticamente suas linhas de entrada, com quedas de até 96% nos embarques de modelos abaixo de US$ 100 no Sudeste Asiático, e o aumento chega a 21% na Índia e 18% no Oriente Médio e na África, ampliando o risco de alargar a exclusão digital justamente onde o acesso ao primeiro smartphone ainda é mais frágil. Paul Krugman conecta esse efeito a um fenômeno macroeconômico mais amplo, o gasto maciço em data centers está elevando os juros de longo prazo e deslocando investimento de setores como habitação, escritórios e fábricas, um efeito de "crowding out" tradicionalmente associado a gastos públicos, mas que agora nasce do setor privado em pleno boom de IA.
Óculos inteligentes viram problema de política pública, a Noruega planeja proibição temporária, a Reuters mapeia restrições em vários países e Cory Doctorow critica a promessa de reconhecer rostos
A Noruega prepara um projeto de lei para proibir temporariamente o uso de óculos inteligentes com câmera em parques, praias, museus, escolas e eventos públicos, mantendo liberado o uso privado, enquanto um grupo de especialistas desenha regras permanentes. O ministro Torgeir Micaelsen afirma temer uma sociedade em que as pessoas se sintam vigiadas sem saber, e a medida se soma a um mosaico crescente de restrições mapeado pela Reuters em países como Austrália, Reino Unido e no âmbito da União Europeia, que já investiga a "aceitabilidade social" do dispositivo. Cory Doctorow questiona a promessa central dos óculos da Meta, a de lembrar nomes e rostos, argumentando que a aplicação real da tecnologia tende a ser a captura e o constrangimento público de desconhecidos, um risco que se agrava quando o reconhecimento facial for finalmente acoplado ao equipamento, transformando o dispositivo numa fábrica de exposição involuntária.
Aceleracionistas se voltam contra a OpenAI, o Politico relata a frustração com a guinada de Altman, parlamentares rebatem a tese dos danos aceitáveis e ex-funcionários depõem em Nova York
Investidores e vozes próximas ao governo Trump que defendem desenvolvimento acelerado de IA com regulação leve começam a se voltar contra a OpenAI, à medida que Sam Altman adota um discurso mais favorável a salvaguardas. Altman chegou a afirmar que o mundo "deveria aceitar que coisas ruins aconteçam" em nome da inovação, frase que parlamentares e defensores de segurança consideram perigosa diante dos riscos de ataques cibernéticos movidos por IA. Em audiência da Câmara Municipal de Nova York, Jacob Coxon, ex-funcionário da Anthropic cuja renúncia pública provocou nova onda de pedidos por regulação, criticou a cultura de "mover rápido e quebrar coisas" do setor, ao lado de ex-funcionários de Google e OpenAI que também alertaram sobre os riscos da tecnologia perante representantes de todas as grandes empresas de IA.
Agentes de IA deixam rastros em sistemas alheios, a Wikimedia atribui à OpenAI edições, sondagens e milhões de requisições, e o presidente da Coreia do Sul vê sinais de IA em ataques a bancos
A Fundação Wikimedia confirmou que agentes "desgovernados" da OpenAI editaram wikis, tentaram explorar sem sucesso a ferramenta de anotações Etherpad e geraram milhões de requisições automatizadas que podem ter contribuído para uma instabilidade parcial em maio, embora não tenha encontrado evidência de coordenação entre os agentes. No mesmo dia, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung afirmou que modelos de IA parecem ter sido usados em recentes ataques a bancos como Shinhan, KB Kookmin, Hana e Woori, com reguladores já compartilhando 28 endereços de IP suspeitos com as instituições afetadas, e pediu ao país o desenvolvimento urgente de métodos de cibersegurança adaptados à era da IA.
O Irã diz ter desativado terminais Starlink, o secretário do Conselho Supremo do Ciberespaço afirma que a internet por satélite pode virar alvo militar legítimo se usada como instrumento de guerra
Seyed Mohammad Amin Aghamiri, secretário do Conselho Supremo do Ciberespaço do Irã, afirmou que o país conseguiu desativar sistematicamente terminais Starlink durante os eventos do inverno passado e que possui outras tecnologias para identificar e bloquear esse tipo de rede. Ele alertou que infraestrutura de internet via satélite pode se tornar alvo militar legítimo se for usada como instrumento de guerra, e anunciou um sistema de classificação de cibersegurança para empresas e plataformas digitais, além de uma rede de "avaliadores de segurança" prevista no sétimo plano nacional de desenvolvimento do país.
Modelos de pesos abertos do Ocidente tentam alcançar a China, a Reflection lança o Beam prometendo menos computação que os rivais chineses e a Mistral prepara o Large 4 para o fim de outubro
A Reflection AI, apoiada pela Nvidia, lançou o Beam, modelo de pesos abertos de 501 bilhões de parâmetros, numa tentativa de reduzir a vantagem recente de modelos abertos chineses, enquanto a francesa Mistral prepara o lançamento do Large 4. Executivos das duas empresas defendem que controle de dados, customização e continuidade de negócio importam tanto quanto desempenho bruto, argumento que pode abalar a economia de modelos fechados como os da Anthropic, prestes a abrir capital, e da OpenAI, ao mesmo tempo em que amplia o risco de que salvaguardas de segurança sejam mais facilmente removidas em sistemas cada vez mais capazes.
O Vale do Silício senta à mesa do Pentágono, Musk volta a Washington como codiretor de painel consultivo, o Gizmodo discute o complexo Pentágono-Silício e um filme israelense expõe a IA na guerra
Elon Musk retornou ao governo dos Estados Unidos como codiretor de um novo painel do Pentágono sobre o futuro da guerra, criado pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, reacendendo questionamentos sobre conflitos de interesse dado o volume de contratos militares da SpaceX. O caso se soma à decisão de um tribunal federal que manteve a classificação da Anthropic como "risco à cadeia de suprimentos" depois que a empresa recusou permitir uso de sua tecnologia em vigilância doméstica ou armas autônomas, disputa que a autora Sharon Weinberger descreve como um ponto de inflexão sobre quem decide o uso militar de tecnologia privada. Em paralelo, o documentário israelense "NAZA" traz 24 militares anônimos das Forças de Defesa de Israel descrevendo o funcionamento real da guerra autônoma, contrapondo-se às previsões apocalípticas de executivos de IA do Vale do Silício.
O Redata anima o setor de data centers, especialista do Banco Mundial vê chance de o Brasil virar hub global e a Ascenty fala em nova geração de instalações para IA, com 150 MW de expansão
No Atlantic Convergence 2026, o especialista do Banco Mundial Luciano Charlita De Freitas avaliou que o programa Redata pode ser ponto de inflexão para transformar o Brasil em hub global de data centers, ao ampliar a oferta e reduzir custos de armazenamento e processamento de dados por meio de incentivos fiscais a investimentos privados. A Ascenty, por sua vez, anunciou US$ 1,2 bilhão em investimentos e 150 MW de expansão de capacidade, com projetos como o data center de Sumaré já concebidos para cargas de IA com refrigeração líquida, num cenário em que a densidade por rack saltou de 4 a 6 kW nos ambientes tradicionais de nuvem para até 200 kW nos novos projetos voltados a GPUs.
Órgãos públicos adotam IA em evento da AWS, a AGU vai deixar servidores escolherem entre GPT, Claude, Gemini e DeepSeek e o ONS tenta coordenar os agentes surgidos da Shadow IA
A partir do final de outubro, servidores da Advocacia-Geral da União poderão escolher entre GPT, Claude, Gemini e DeepSeek para lidar com as 100 mil comunicações judiciais recebidas por dia, segundo o diretor de Inteligência Jurídica e Inovação Claudio Braga, que admite preocupação com custo de tokens mas garante controle sobre gastos. No setor elétrico, o ONS avança com uma plataforma que permite a usuários criarem seus próprios agentes de IA, numa tentativa de coordenar a chamada shadow IA, enquanto expande o projeto Thiago, sua IA generativa já responsável por mais de 4,5 milhões de arquivos baixados, com o assessor Carlos Alexandre Prado admitindo que hoje é difícil até distinguir se o usuário final de um sistema é humano ou agente.
Criptografia do Estado ganhará regra pós-quântica, o GSI prepara instrução normativa depois do guia que o CEPESC deve lançar na segunda quinzena de novembro
O GSI vai publicar uma instrução normativa sobre segurança pós-quântica para a criptografia do Estado brasileiro depois que o CEPESC lançar, na segunda quinzena de novembro, um guia para padronizar soluções de segurança baseado no protocolo Libharpia, criado pela Abin em 2022. O secretário André Molina afirma que o avanço da computação quântica ameaça algoritmos tradicionais e defende reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em nuvem, segurança e IA, destacando que o governo já usa modelos abertos de inteligência artificial como estratégia de soberania.
Fust leva conexão a unidades de saúde, resultado provisório do MCom seleciona 11 empresas para conectar 1.307 UBS com R$ 31,6 milhões e desconto médio de 11,2%
O Ministério das Comunicações divulgou resultado provisório do edital que seleciona 11 empresas para conectar 1.307 Unidades Básicas de Saúde em todo o país, com R$ 31,6 milhões em recursos do Fust e desconto médio de 11,2% sobre os valores estimados pelo governo. A infraestrutura deve apoiar prontuários eletrônicos, teleconsultas e integração de sistemas de telessaúde, e as empresas participantes ainda têm dez dias para apresentar recursos antes da publicação do resultado definitivo.
Redes comerciais devem carregar as comunicações críticas da UE, a Strand Consult analisa a proposta do EUCCS e aponta a remuneração das operadoras como ponto em aberto
A proposta da Comissão Europeia para um Sistema Europeu de Comunicação Crítica, o EUCCS, pretende usar redes móveis comerciais já existentes, em vez de criar infraestrutura paralela, para apoiar defesa, segurança pública e serviços de emergência, com interoperabilidade total prevista para 2036. A Strand Consult avalia que o impacto comercial é maior do que sugere o enquadramento de segurança pública, já que o projeto impõe exigências legais de latência, perda de pacotes e prioridade de tráfego às operadoras, mas deixa em aberto a forma exata de remuneração, prevendo apenas termos "justos e razoáveis" para um investimento estimado em € 3,571 bilhões.
Pequim queria mais da visita de Xi a Washington, fontes do South China Morning Post dizem que os EUA recusaram encontros com empresários e estudantes e um diálogo sobre IA entre executivos
Apesar da pompa da visita de Estado de Xi Jinping aos Estados Unidos em setembro, fontes revelam que Pequim queria um roteiro mais ambicioso, incluindo encontros com empresários estadunidenses, uma fala a estudantes de universidades de Washington ou Nova York e um diálogo sobre inteligência artificial entre executivos chineses e estadunidenses. A Casa Branca recusou essas propostas, alegando necessidade de reciprocidade com a visita de Trump a Pequim em maio e relutância em dar a Xi uma plataforma para amplificar suas posições, um contraste com a viagem de 2015, quando o líder chinês visitou sedes da Microsoft e da Boeing e discursou para estudantes.
A OpenAI ajusta o ChatGPT a regras e a receitas, a empresa adota marca d'água em textos na UE para cumprir o Ato de IA e vai testar anúncios durante a geração de imagens nos EUA
Para se adequar ao Ato de IA da União Europeia, a OpenAI passa a inserir marca d'água invisível em conteúdos de texto gerados por ChatGPT e Codex na região, além de abrir um detector restrito a pesquisadores, já que a ferramenta ainda sofre de falsos positivos e perde eficácia em textos reescritos ou longos. Nos Estados Unidos, a empresa começa a testar anúncios durante a espera pela geração de imagens no ChatGPT, ferramenta usada por 1,2 bilhão de pessoas por semana, com peças de marcas selecionadas e parcerias de mensuração com empresas como AppsFlyer, DoubleVerify e Integral Ad Science.
A ciência ergue defesas contra a IA, matemáticos do Caltech propõem plataforma própria depois da polêmica com a OpenAI e o arXiv limita submissões diante da enxurrada de artigos gerados por máquina
Depois da controvérsia sobre o anúncio da OpenAI de ter resolvido um dos problemas do milênio, as equações de Navier-Stokes, o físico teórico Sergei Gukov propõe uma plataforma própria onde matemáticos possam colaborar e treinar modelos sobre o "trabalho invisível" de provar teoremas complexos, numa tentativa de recuperar a confiança da comunidade nos laboratórios de fronteira. O repositório acadêmico arXiv, por sua vez, anunciou limite de duas submissões mensais por pesquisador depois que o volume de artigos dobrou em dois anos e a moderação voluntária passou a ser sobrecarregada por textos de baixa qualidade gerados por IA.
A governança da internet volta à pauta, a Wired acompanha a ICANN na primeira rodada de novos domínios de topo desde 2012 e o presidente da Suprema Corte do Nepal pede estratégia contra interrupções
A ICANN abriu, pela primeira vez desde 2012, uma nova rodada de candidaturas para domínios de topo inéditos, somando-se aos mais de mil já existentes, num processo que reaviva debates antigos sobre até onde vai o mandato técnico da entidade, inclusive sua recusa histórica em 2022 a um pedido da Ucrânia para bloquear domínios russos em nome da neutralidade da rede. No Nepal, o presidente da Suprema Corte, Manoj Kumar Sharma, pediu no Fórum Regional de Governança da Internet da Ásia-Pacífico uma estratégia eficaz para antecipar riscos de interrupções digitais, citando enchentes recentes que danificaram infraestrutura de telecomunicações e defendendo sistemas mais resilientes para serviços públicos e judiciais.
Preço definido por algoritmo chega aos tribunais, ação coletiva em Chicago acusa o McDonald's de coordenar valores do cardápio entre franqueados com um sistema de IA
Uma ação coletiva federal em Chicago acusa o McDonald's de coordenar ilegalmente preços de cardápio entre franqueados e lojas próprias por meio de um sistema de precificação movido a aprendizagem de máquina, treinado com dados não públicos de milhões de transações diárias em quase 14 mil restaurantes. A empresa nega que a IA defina o preço de um Big Mac e afirma que cada franqueado decide seus próprios valores, mas o caso se soma a uma onda recente de processos nos Estados Unidos contra uso de algoritmos para coordenar preços em setores como hospedagem e aluguel de imóveis.
Os ganhos da IA no trabalho ficam com quem já está no topo, pesquisa Gallup mostra uso semanal por 28% dos empregados dos EUA, concentrado entre graduados e gestores
Pesquisa da Gallup com a Jobs for the Future mostra que 28% dos empregados dos Estados Unidos usam IA ao menos semanalmente no trabalho, enquanto 54% nunca utilizaram a tecnologia profissionalmente, e que os benefícios relatados, principalmente velocidade e criatividade, se concentram entre graduados universitários e ocupantes de cargos de gestão. Entre os que ganham US$ 10 mil ou mais por mês, sete em cada dez dizem que a IA acelera seu trabalho, proporção que cai entre os trabalhadores de renda mais baixa, reforçando o padrão de que o acesso aos ganhos da tecnologia reproduz desigualdades já existentes no mercado de trabalho.
IA também serve à participação democrática, Beth Noveck relata no New York Times como Nova Jersey localizou crianças com direito a benefício e um grupo latino lança app bilíngue para eleitores
Beth Noveck, primeira estrategista-chefe de IA de Nova Jersey, descreve como uma ferramenta de inteligência artificial cruzou registros de diferentes programas sociais para identificar crianças elegíveis a um benefício alimentar de verão, ampliando o alcance para 106 mil famílias no primeiro ano sem exigir nenhum formulário novo, argumento que ela usa para defender o uso da tecnologia no fortalecimento de instituições democráticas. Na mesma linha, a organização Mi Familia en Acción lançou o Nubi, aplicativo bilíngue com respostas sobre registro eleitoral, votação antecipada e direitos do eleitor, construído com fontes curadas e revisão humana, voltado a atender os quase 39 milhões de hispânicos aptos a votar nas eleições de meio de mandato.
Nasce a Skydance como gigante de mídia de David Ellison, a Paramount conclui a compra da Warner Bros. Discovery por US$ 110 bilhões, com dívida de US$ 80 bilhões e fundos soberanos do Golfo
A Paramount Skydance concluiu a fusão de US$ 110 bilhões com a Warner Bros. Discovery, criando a nova empresa Skydance, que reúne os estúdios Paramount e Warner Bros., os serviços de streaming Paramount+ e HBO Max, e as redes de notícias CNN e CBS News sob comando de David Ellison e do co-CEO Ynon Kreiz. O negócio, questionado na Justiça por procuradores-gerais democratas de 12 estados, só avançou depois que a empresa se comprometeu a elevar investimentos em produção nos Estados Unidos e a criar um conselho de jornalistas para preservar a independência editorial de CNN e CBS, enquanto Mark Thompson e Bari Weiss seguem à frente das respectivas redações.
A riqueza do boom da IA se concentra no topo, bilionários de tecnologia ganharam US$ 845 bilhões até setembro segundo a Bloomberg, Musk volta a ser trilionário e a Nvidia se aproxima de US$ 6 trilhões
Bilionários de tecnologia acumularam US$ 845 bilhões até o fim de setembro, o maior ganho já registrado para os primeiros nove meses de um ano, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, somando US$ 4,6 trilhões e respondendo por 36% da riqueza do índice com apenas um quinto de seus integrantes. Elon Musk recuperou o status de trilionário depois de oscilações ligadas ao desempenho das ações da SpaceX, enquanto a Nvidia se aproxima da marca de US$ 6 trilhões em valor de mercado, impulsionando recordes no Nasdaq mesmo com sinais de desaceleração e dúvidas crescentes sobre a sustentabilidade de algumas das maiores apostas em IA.