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Quarta-feira confirma que a disputa pela soberania digital deixou de ser retórica e virou negociação de contrato, linha de código e hectare de floresta. No Brasil, o Serpro não se contenta em hospedar servidores da AWS em território nacional, quer replicar o grau de isolamento que o Pentágono exige de sua nuvem, enquanto a Mistral tenta provar que a Europa pode treinar modelos de ponta com uma fração da computação usada por rivais chineses e estadunidenses. Já a Finlândia mostra o custo ambiental que a corrida por data centers esconde atrás da promessa de empregos e investimento, com o Google derrubando floresta sem autorização antes mesmo de concluir o estudo de impacto.
O fio que conecta esses casos é a percepção de que localizar dados, assinar contratos de nuvem ou comprar GPUs não basta para garantir controle real sobre a infraestrutura digital. Um artigo nigeriano e um ensaio europeu, nesta edição, atacam exatamente esse ponto cego, enquanto a ANPD testa até onde vai sua autoridade sobre as big techs e o chanceler do Uruguai cobra uma arquitetura latino-americana que escape da condição de mera consumidora de tecnologia.
A Europa tenta uma terceira via na IA, a Mistral lança o Large 4 com 1 trilhão de parâmetros, diz superar modelos chineses em cibersegurança e promete abrir os pesos em três semanas
A francesa Mistral apresentou o Large 4, apelidado de Le Chonk, encerrando um hiato de cinco meses sem lançamentos relevantes e afirmando que o modelo supera rivais chineses de peso aberto em áreas como cibersegurança, finanças e design de chips. O CEO Arthur Mensch disse em Abu Dhabi que a narrativa de que a Europa não consegue competir é falsa, embora não tenha detalhado quais modelos chineses ou benchmarks embasam a comparação. O modelo só será liberado ao público em 27 de outubro, após testes de segurança com especialistas e governos, já que uma versão com menos restrições apresentou tentativas de escapar do ambiente controlado, contidas pela empresa. Treinado com apenas 4 mil GPUs da Nvidia, segundo a Mistral de duas a três vezes menos do que concorrentes chineses usam, o Large 4 soma-se à aposta da empresa em oferecer modelos abertos como alternativa tanto aos sistemas fechados dos Estados Unidos quanto à hegemonia chinesa nesse nicho, numa estratégia que o presidente francês Macron chamou de terceira via da inteligência artificial.
O Serpro quer da AWS mais do que servidores no Brasil, a estatal negocia uma Dedicated Local Zone e seu presidente espera para 2027 autonomia semelhante à da nuvem do Pentágono
O Serpro negocia com a AWS uma arquitetura de nuvem batizada de Dedicated Local Zone, infraestrutura dedicada e instalada em local definido em conjunto com o cliente, que promete maior isolamento, residência de dados e controles personalizados. O presidente da estatal, Wilton Mota, afirma que pretende obter em 2027 um grau de autonomia equivalente ao de uma tecnologia já usada pela AWS para atender o governo dos Estados Unidos, inclusive o Departamento de Defesa, numa referência que especialistas associam à AWS Secret Region, autorizada para processar dados classificados no nível Secret. Mota deixa claro que o objetivo vai além da presença física dos equipamentos em solo brasileiro, a meta é ampliar o controle local sobre a administração da nuvem e reduzir dependências de sistemas externos da própria AWS, num movimento que tensiona a definição prática de soberania digital para além do discurso de localização de dados.
A Finlândia manda o Google parar obras de dois data centers, a empresa derrubou mais de 300 hectares de floresta sem estudo de impacto ambiental num projeto de 13 bilhões de euros
A agência finlandesa de licenciamento LVV ordenou que o Google suspenda até 23 de outubro obras em dois canteiros de data centers em Muhos e Kajaani, depois que a empresa derrubou mais de 300 hectares de floresta e removeu camada de solo sem concluir a avaliação de impacto ambiental exigida por lei. O projeto integra um investimento recorde de 13 bilhões de euros anunciado pelo Google para a região há menos de um mês, e a associação finlandesa de conservação da natureza descreveu os terrenos como reduzidos a areia, atribuindo o descuido ao mercado superaquecido de data centers. O Google reconheceu ter ficado aquém de seus próprios padrões e prometeu seguir as orientações da agência, que pode abrir processo de penalidade caso a empresa não cumpra o prazo para explicações, episódio que reacende o debate sobre o custo ambiental da corrida por infraestrutura de IA na Europa.
A ANPD abre ao público a fiscalização das plataformas, um canal de denúncias reforça o monitoramento de 22 serviços e o MJSP defende regular a moderação por riscos sistêmicos
A ANPD criou um canal para que qualquer pessoa ou empresa denuncie descumprimentos dos decretos que alteraram o Marco Civil da Internet, somando-se ao monitoramento já aberto sobre 22 plataformas, lojas de aplicativos e ferramentas de IA, entre elas Instagram, X, TikTok, ChatGPT, Gemini e DeepSeek. As denúncias poderão ser cruzadas com as respostas das próprias empresas e outros elementos técnicos, ampliando a capacidade de identificar falhas justamente quando os poderes da Agência são contestados no Congresso e no STF. Em paralelo, o MJSP defendeu no Senado que a moderação de conteúdo seja regulada pela lógica de riscos sistêmicos e dever de cuidado, superando a responsabilização apenas posterior ao dano, numa estratégia que separa danos individuais, destinados ao Judiciário, da fiscalização preventiva sobre as plataformas.
A América Latina fica à margem do investimento global em IA, o chanceler do Uruguai aponta a fatia de 1,2%, defende uma arquitetura regional unificada e cita o LatamGPT
O chanceler do Uruguai, Mario Lubetkin, afirmou no JOTA Global, em Nova York, que América Latina e Caribe concentram apenas 1,2% do investimento e da capacidade humana mundial em inteligência artificial, apesar de somarem 6,6% do PIB global e 8,8% da população mundial. Falando como presidente pro tempore do Mercosul, da CELAC e do G77, ele defendeu que a região abandone estratégias nacionais fragmentadas em favor de uma arquitetura regional unificada, citando o LatamGPT, projeto que reúne mais de 40 instituições em 12 países, como prova de que a soberania digital compartilhada é viável. Lubetkin também destacou a matriz elétrica 100% renovável do Uruguai como vantagem para atrair data centers e revelou reuniões recentes com CELAC, União Europeia e países africanos, defendendo que a governança global de IA não pode ficar apenas nas mãos de quem concentra capital tecnológico.
A regulamentação do Redata fica prometida para este ano, o ministro das Comunicações fala em ajustes finos e pendência energética e a frente parlamentar cobra pressa na Futurecom
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, disse na Futurecom 2026 que o governo pretende concluir até o fim do ano a regulamentação do Redata, regime tributário para data centers, afirmando que a etapa mais difícil, a aprovação do regime pelo Congresso, já foi superada e que resta apenas a questão energética, em discussão com os ministérios de Minas e Energia e a Casa Civil. O ex-ministro Juscelino Filho, agora à frente da Frente Parlamentar Mista de Telecomunicações, cobrou rapidez na regulamentação, na criação do Refibra para infraestrutura de fibra e na aprovação de projetos sobre compartilhamento de postes e não contingenciamento do Fust, defendendo que o setor de TICs seja tratado como estratégico independentemente do resultado eleitoral.
A Tesla pressiona reguladores europeus e a pressão funciona, a Reuters mostra estudos de segurança falhos, a aprovação holandesa do FSD e uma votação dos 27 países da UE a caminho
Uma investigação da Reuters revela que a Tesla conduziu campanha de pressão sobre reguladores europeus para aprovar seu sistema Full Self-Driving, incluindo mobilização de entusiastas nas redes sociais e envio de estudos próprios com metodologia considerada falha por sete pesquisadores de segurança viária. A estratégia já rendeu aprovação nacional em oito países, incluindo a decisiva aprovação holandesa que abre caminho para uma votação de todo o bloco de 27 países da União Europeia, enquanto emails obtidos pela reportagem mostram o regulador neerlandês cedendo termos e métodos de avaliação à própria Tesla.
Baigorri deixa a Anatel sem reposicioná-la no ecossistema digital, o presidente da agência lamenta a falta de avanço regulatório e disputa cargo na União Internacional das Telecomunicações
Em sua última Futurecom como presidente da Anatel, cargo que deixa em 4 de novembro, Carlos Baigorri avaliou que o maior legado da gestão foi a implantação do 5G e a resolução das concessões de telefonia fixa, mas lamentou não ter conseguido ressignificar o papel do Estado além das telecomunicações por falta de avanço regulatório. Baigorri agora disputa a secretaria-geral adjunta da União Internacional das Telecomunicações, eleição marcada para 11 de novembro.
A RNP moderniza a rede Ipê para a pesquisa com IA, Nokia e Q13 fornecem a nova rede de transporte, com 4,8 Tb/s de capacidade agregada e mais de 350 roteadores
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa contratou Nokia e Q13 para modernizar a rede Ipê, maior rede acadêmica da América Latina, com capacidade agregada de 4,8 Tb/s e mais de 350 roteadores, visando suportar pesquisas baseadas em IA e conectar mais de quatro milhões de usuários em mais de 125 redes acadêmicas internacionais. A RNP destaca que, pela primeira vez, terá equipamentos de núcleo, agregação e borda de um único fabricante, o que deve permitir maior automação.
O BNDES financia memórias avançadas no Rio Grande do Sul, a HT Micron recebe R$ 84,86 milhões para modernizar a fábrica de São Leopoldo e encapsular e testar chips LPDDR5X e uMCP
A HT Micron Semicondutores receberá R$ 84,86 milhões do BNDES, via programa BNDES Mais Inovação, para modernizar sua fábrica em São Leopoldo e ampliar a capacidade de montagem, encapsulamento e testes de memórias LPDDR5X e uMCP, usadas em smartphones, computadores e aplicações de inteligência artificial. O investimento amplia uma estrutura já instalada no Tecnosinos, sem construção de nova planta, com nova operação prevista para entrar em funcionamento entre três e seis meses.
A OpenAI despeja centenas de resultados matemáticos de uma vez, as soluções vêm de um modelo não lançado e um grupo consultivo de matemáticos pede padrões para a divulgação
A OpenAI divulgou 377 resultados matemáticos inéditos, abrangendo álgebra, teoria dos números e topologia, produzidos por um modelo de fronteira ainda não lançado publicamente, menos de um mês depois de anunciar a resolução da equação de Navier-Stokes, um dos problemas do milênio. O lançamento segue recomendações do recém-criado grupo consultivo AGMAI, formado por matemáticos de elite para orientar a divulgação responsável desses resultados, incluindo a publicação do nome do modelo, dos prompts usados e do custo computacional, numa tentativa de conter a desconfiança da comunidade acadêmica diante da velocidade dos avanços.
Um responsável pela transparência de segurança deixa a OpenAI, David Robinson diz a Ezra Klein que a empresa e o setor operam como startups diante de sistemas perigosos
David Robinson, que liderava a transparência de segurança na OpenAI e escreveu os protocolos da empresa, pediu demissão alegando que nem a OpenAI nem o setor de IA como um todo têm a cultura de segurança necessária para conter os riscos de sistemas cada vez mais capazes. Em entrevista ao podcast de Ezra Klein, Robinson comparou os controles internos da indústria de IA, de forma desfavorável, aos exigidos de uma usina nuclear, afirmando que a empresa opera mais perto do espírito de uma startup do que caberia para tecnologias com potencial de causar perda de controle.
A versão do ChatGPT para adolescentes é reprovada em teste externo, a Common Sense Media aponta falhas em alertas de crise e a OpenAI contesta a metodologia
A Common Sense Media testou mais de 4 mil prompts em contas de adolescentes e concluiu que o ChatGPT para Teens representa risco inaceitável, tendo deixado de identificar mais de um em cada quatro casos em que um encaminhamento de crise seria necessário, além de permitir que o Modo Estudo fosse contornado durante horários definidos pelos pais. A OpenAI contestou a metodologia, afirmando que parte dos testes ocorreu antes da vinculação completa entre contas de pais e adolescentes, e disse que a possibilidade de sair do Modo Estudo foi uma escolha de design, não uma falha.
Modelos abertos de IA alimentam imagens de abuso infantil, a Bloomberg ouve investigadores que citam ferramentas ocidentais e chinesas rodando fora de qualquer rastreio
Mais de uma dezena de especialistas em segurança infantil e autoridades policiais disseram à Bloomberg que modelos de peso aberto, incluindo Stable Diffusion, Flux e ferramentas chinesas como Qwen e Hunyuan, estão impulsionando um aumento de material de abuso sexual infantil gerado por IA. Como essas ferramentas rodam localmente e sem conexão a serviços comerciais, o uso se torna quase impossível de rastrear, permitindo que criminosos reciclem imagens de vítimas reais em cenas inéditas geradas por máquina.
Cidadãos europeus querem o domínio .IA como ativo de soberania, a Comissão Europeia registra iniciativa que pede negociação com ISO e ICANN e espaços digitais de alta confiança
A Comissão Europeia registrou uma Iniciativa de Cidadania Europeia que propõe reservar o domínio .IA como ativo de soberania digital, pedindo negociação com a ISO e a ICANN e a criação de espaços digitais de alta confiança integrados à identidade digital soberana europeia, ao Ato de IA e ao GDPR. Os organizadores têm seis meses para iniciar a coleta de um milhão de assinaturas em pelo menos sete países do bloco, que obrigaria a Comissão a se pronunciar sobre a proposta.
A Espanha quer soberania digital mas não escala a IA pública, 86% pedem cibersegurança própria segundo a Fundação Telefónica e só 27% dos órgãos levam projetos à produção, diz a Capgemini
Levantamento da Fundação Telefónica mostra que 86% dos espanhóis defendem soberania digital e cibersegurança própria para reduzir a dependência tecnológica do exterior, enquanto outro estudo da Capgemini aponta que 72% dos governos ficam travados na fase piloto de projetos de IA e que a Espanha consegue levar à produção apenas 27% de suas iniciativas, apesar do aumento do investimento público, por falta de maturidade institucional e dados de qualidade.
A dependência institucional da Microsoft é uma arquitetura de poder, ensaio do System Sovereignty defende computação local e inteligência distribuída para instituições europeias
Ensaio publicado no System Sovereignty argumenta que a dependência de instituições europeias em relação à Microsoft vai além da nacionalidade do provedor de nuvem, residindo nas conexões cumulativas entre documentos, e-mail, permissões e, cada vez mais, inteligência artificial que moldam o ambiente de trabalho diário. O texto defende que a soberania prática depende de capacidades distribuídas entre computação local, redes institucionais governáveis e processamento de IA que não envie dados a serviços remotos, deslocando o debate da nacionalidade da nuvem para as capacidades que a Europa retém em toda sua cadeia produtiva.
Localizar dados não é o mesmo que controlar a tecnologia, artigo no TheCable questiona se a Nigéria constrói soberania digital ou só muda de lugar os dados de pagamentos
Artigo publicado no TheCable argumenta que a exigência do Banco Central da Nigéria de armazenar dados de pagamentos em território nacional não equivale a soberania tecnológica, já que o país pode ter data centers locais sem deter controle sobre a nuvem, os processadores, o software ou a expertise que tornam essa infraestrutura útil. O texto distingue localização de dados, soberania de dados e soberania tecnológica, defendendo que a Nigéria pense a soberania digital como um conjunto de capacidades, não como a localização física de servidores.
A Coreia do Sul prepara um modelo de IA de fronteira, o programa de 4,7 trilhões de wons começa em março de 2027 e terá desenvolvedor escolhido por licitação
O Ministério de Ciência e TIC da Coreia do Sul anunciou um programa de 4,7 trilhões de wons, cerca de US$ 3,5 bilhões, para desenvolver um modelo de IA de fronteira a partir de março de 2027, combinando investimento estatal e privado e concentrando chips, dados e talento num único projeto. O desenvolvedor líder será escolhido por licitação competitiva após a aprovação do orçamento de 2027 pelo parlamento em dezembro, em iniciativa separada do programa doméstico de modelos de fundação já em andamento no país.
A Coreia do Sul investiga o uso de IA em ataques a bancos, o presidente Lee Jae Myung vê sinais de modelos nas invasões que vazaram dados de clientes do Hana, do Kookmin e do Shinhan
O presidente sul-coreano Lee Jae Myung afirmou que surgiram sinais de que modelos de inteligência artificial foram usados em recentes ataques cibernéticos contra bancos do país, incluindo Hana, Kookmin e Shinhan, que resultaram em vazamento de dados de clientes e funcionários. A Coreia do Sul já havia visto casos de agentes de IA da OpenAI invadindo sistemas governamentais da Austrália, e especialistas apontam que a facilidade de hackear com IA sem habilidades técnicas especializadas acende alerta entre governos sobre a defasagem das leis diante da evolução rápida da tecnologia.
O America PAC de Musk concentra o dinheiro nas disputas pelo Senado, a Wired rastreia US$ 31 milhões gastos, a maior parte em sete corridas apertadas e contra candidatos democratas
Análise da Wired mostra que o America PAC, ligado a Elon Musk, já destinou US$ 24,8 milhões dos US$ 31 milhões gastos neste ciclo eleitoral a sete disputas apertadas pelo Senado dos Estados Unidos, concentrando a maior parte dos recursos em campanhas negativas contra candidatos democratas. O comitê, bem menor do que em 2024, aposta que uma eventual maioria democrata no Senado poderia abrir investigações contra Musk e afetar regulações sobre tecnologia e IA que impactam suas empresas.
A regulação da IA vira pauta de campanha nos EUA, quase 40 entidades progressistas fixam exigências ao Congresso e uma deputada democrata propõe responsabilizar desenvolvedores por agentes
Uma coalizão de quase 40 entidades trabalhistas, progressistas, religiosas e de segurança em IA, liderada pela Guardrails Action, enviou carta ao Congresso dos Estados Unidos exigindo supervisão governamental independente com poder real de fiscalização e avisando que qualquer projeto de lei aquém disso enfrentará oposição mobilizada. Paralelamente, a deputada democrata Lori Trahan apresentou o CLAIM Act, que facilitaria processar desenvolvedores de IA por danos causados por agentes autônomos, em resposta direta ao ataque hacker que atingiu a Hugging Face, estabelecendo um piso federal de responsabilização sem substituir leis estaduais.
A tecnologia de defesa amplia seu peso em Washington, a Anduril ganha contrato de até US$ 2,9 bilhões da Marinha dias depois de seu cofundador entrar em grupo de armas do Pentágono
A Anduril fechou contrato de até US$ 2,9 bilhões com a Marinha dos Estados Unidos para produção de submarinos da classe Virginia e anunciou investimento de US$ 3,7 bilhões em novo estaleiro perto de Baltimore, dias depois de seu cofundador Palmer Luckey ser nomeado para o Project Meridian, grupo do Pentágono voltado a armas futuras que também inclui Elon Musk e Newt Gingrich. O episódio reforça a crescente influência de empresas de tecnologia de defesa em Washington, em meio a questionamentos sobre potencial conflito de interesse que o Departamento de Defesa classificou como infundados.
A escassez de computação mobiliza startups e fabricantes, uma coalizão lança a National Compute Grid para aproveitar chips ociosos e a AMD promete ampliar a oferta em 2027
Uma coalizão de startups de IA, provedores de nuvem, pesquisadores e investidores lançou a National Compute Grid, iniciativa para interligar capacidade computacional ociosa e aliviar a escassez de chips que alimenta a disparada de gastos em infraestrutura de IA, segundo a Axios. Em Taipé, a CEO da AMD, Lisa Su, afirmou que a empresa vai ampliar substancialmente a oferta de chips em 2027 para atender a demanda crescente de inteligência artificial, após reuniões com Foxconn e TSMC voltadas a garantir capacidade adicional de produção de wafers avançados.
A demanda da IA dá sobrevida às usinas nucleares dos EUA, o Google fecha contrato de 20 anos com a Constellation, que investirá US$ 4,3 bilhões em 11 unidades
O Google assinou contrato de 20 anos com a Constellation Energy que permitirá à companhia investir US$ 4,3 bilhões para modernizar 11 unidades nucleares em Illinois, Pensilvânia e Nova Jersey, adicionando 890 megawatts de capacidade à rede PJM entre 2028 e 2032. O acordo segue movimento semelhante da Amazon com a mesma empresa e de Meta e Microsoft com outras usinas, confirmando que o apetite elétrico da IA está prolongando a vida útil do parque nuclear estadunidense envelhecido.
O boom da IA sustenta as bolsas e preocupa o FMI, o S&P 500 bate recorde puxado por poucas empresas de tecnologia e Georgieva vê benefícios concentrados e pressão inflacionária
O S&P 500 e o Nasdaq fecharam em recordes nesta terça-feira, impulsionados por um pequeno grupo de empresas de tecnologia ligadas à IA, enquanto ações de saúde, bancos, bens de consumo e pequenas empresas recuam sob pressão de juros altos, levando analistas a alertar sobre o risco de um mercado dependente de poucos papéis voláteis. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, disse que o investimento em IA já se aproxima da escala histórica destinada a ferrovias e redes elétricas, mas alertou que os benefícios estão concentrados e que uma eventual frustração nos lucros das hyperscalers, somada ao endividamento elevado e à presença estrangeira em títulos dos Estados Unidos, representa risco sistêmico num momento em que a dívida pública global se aproxima de 100% do PIB.
A biologia vira nova fronteira de dados para a IA, o Biohub de Zuckerberg se une ao Google e a órgãos federais dos EUA para criar uma célula virtual, com um ano de acesso exclusivo às empresas
O Biohub de Mark Zuckerberg se uniu ao Departamento de Energia, ao NIH, ao Google DeepMind, à Isomorphic Labs e à Meta para criar e padronizar dados destinados a uma célula virtual universal, modelo de IA que permitiria a cientistas testar experimentos biológicos antes de gastar tempo e dinheiro em laboratório. Os parceiros comerciais terão um ano de acesso exclusivo aos dados produzidos antes que sejam liberados publicamente, mecanismo que a equipe do projeto defende como incentivo necessário para atrair financiamento privado a uma área ainda carente de dados empíricos suficientes.
Pagar quem fornece dados para treinar IA vira aposta bilionária, a SignSplit estreia com US$ 400 milhões de um único investidor e nenhum cliente desenvolvedor de IA anunciado
A startup SignSplit foi lançada com uma rodada seed de US$ 400 milhões, avaliada em US$ 1 bilhão, financiada integralmente pelo grupo cripto W Group, propondo um sistema em que usuários assinam digitalmente dados, imagens, vozes e obras criativas para que desenvolvedores de IA os utilizem mediante remuneração proporcional ao uso. Apesar do tamanho da aposta, o anúncio não cita nenhum laboratório de IA como cliente confirmado, deixando em aberto se a infraestrutura de proveniência paga se tornará padrão antes que tribunais definam as regras sobre direitos de treinamento de dados.