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Neste domingo de reta final eleitoral no Brasil, a disputa pelo poder migra visivelmente para a camada de infraestrutura e algoritmos. A Meta vira ré simbólica no segundo turno, acusada pela ca mpanha de Lula de reduzir alcance de forma seletiva, enquanto entidades científicas pressionam o TSE por critérios isonômicos — episódio que ecoa casos já documentados alhures, do Quênia à Ucrânia, onde big techs e plataformas de conectividade negociam diretamente com chefes de Estado, moldam legislações e decidem, por "falhas técnicas" ou escolhas comerciais, quem tem voz e quem fica invisível.
Essa concentração de poder não é apenas política, é física. A guerra entre Rússia e Ucrânia atinge data centers como alvos militares, o conflito no Mar Vermelho encarece rotas de cabos submarinos e a Starlink se torna, segundo analistas, uma espécie de Companhia das Índias orbital. Do outro lado do tabuleiro, Marrocos, Rússia e vozes do Sul Global tentam desenhar soberanias alternativas, enquanto a Nvidia avança sobre modelos abertos e a Europa reconhece, em números, que está perdendo a corrida tecnológica que vai até 2040.
A Meta vira personagem do segundo turno, a campanha de Lula aciona TSE e ANPD e cientistas cobram isonomia da Justiça Eleitoral
A Meta atribuiu a "problemas técnicos" a queda no alcance de publicações da campanha de Lula e negou favorecimento a Flávio Bolsonaro, cuja página teria registrado quase três vezes mais engajamento mesmo com menos seguidores. A campanha petista acionou o TSE, que deu 48 horas para explicações, e também a ANPD, alegando "fortes suspeitas" de interferência eleitoral, citando derrubada de conta de anúncios e bloqueios de impulsionamento sobre pautas como fim das apostas online e escala 6x1. Em paralelo, SBPC, ABC, Andes-SN e outras entidades divulgaram carta ao TSE cobrando critérios isonômicos nas decisões da Justiça Eleitoral, questionando a suspensão do canal "Exército do Lula" no WhatsApp sem análise individualizada e pedindo investigação rigorosa das denúncias contra a Meta, num cenário em que plataformas privadas acumulam poder de árbitro sobre a própria democracia que deveriam apenas intermediar.
O Quênia muda as regras da terceirização em favor das big techs, Ruto atende prestadora da Meta e o governo soma 12 acordos opacos com gigantes de tecnologia
Depois que moderadores de conteúdo da Sama, terceirizada da Meta, venceram no tribunal de apelação o direito de processar a gigante estadunidense, o presidente queniano William Ruto anunciou publicamente ter alterado a lei para que "ninguém mais" leve a empresa à Justiça — declaração feita semanas antes da aprovação, em agosto, de emendas que facilitam a desresponsabilização de quem contrata moderação terceirizada. A Agência Pública, com o The Continent, mapeou ao menos 12 reuniões, acordos e parcerias entre o governo queniano e Microsoft, Google, Amazon, TikTok e Starlink desde 2023, incluindo o envio de dados agrícolas de milhões de pequenos produtores à Microsoft via o serviço Kuzabot, num padrão em que infraestrutura pública e formulação de políticas são incorporadas por empresas estrangeiras sem transparência sobre o que o país recebe em troca ou quem fiscaliza o interesse público nesses contratos.
A guerra chega à camada física da internet, Ucrânia ataca data centers da Yandex e o Mar Vermelho encarece rotas terrestres dos EUA
A Ucrânia atacou em dias seguidos dois grandes data centers da Yandex na Rússia, incluindo o hub de Sasovo, que abriga dois dos três supercomputadores usados no treinamento de IA da empresa, derrubando ações da companhia na bolsa de Moscou e deixando clientes B2B sem acesso a backups. Paralelamente, o avanço dos houthis sobre o estreito de Bab al-Mandab, por onde passa mais de 90% do tráfego de dados entre Europa e Ásia, levou Google, Meta e Microsoft a pagarem valores de até três vezes o normal por rotas terrestres alternativas via Turquia e Iraque, enquanto a Microsoft anuncia US$ 400 milhões em novos links submarinos e terrestres no Oriente Médio — evidência de que cabos e servidores tornaram-se alvos e gargalos estratégicos tão sensíveis quanto fronteiras físicas.
A Starlink dá a Musk alavanca sobre governos, Ucrânia e Taiwan dependem da rede e Cambridge evoca a Companhia das Índias
Com 13 milhões de usuários em mais de 167 países e responsável por mais de 60% da receita da SpaceX, a Starlink tornou-se indispensável para militares ucranianos — que já sofreram cortes de acesso decididos unilateralmente por Elon Musk — e é vista como rede de backup estratégica para Taiwan diante de eventual bloqueio chinês. Para o professor de Cambridge Alessio Terzi, governos entram num "pacto fáustico" com Musk comparável à Companhia das Índias, já que a fatia da SpaceX em lançamentos espaciais, perto de 80% em 2025, supera o domínio que a companhia britânica teve sobre o comércio marítimo em seu auge; Musk já fala da Starlink como "fonte de oxigênio" para robótica e IA, projetando que a rede possa prover a maior parte da conectividade mundial em uma década, enquanto usa descontos no serviço para neutralizar protestos locais contra seus data centers nos EUA.
A África ensaia caminhos próprios de soberania digital, Marrocos promete IA em árabe, darija e amazigue e Moscou propõe aliança alternativa
O Marrocos lançou a estratégia "AI Made in Morocco", prometendo infraestrutura computacional soberana, modelos de linguagem em árabe, darija e amazigue antes de expandir para outras línguas africanas, e meta de contribuir com 100 bilhões de dirhams ao PIB até 2030, dentro do roteiro "Morocco AI 2030" que prioriza energia, capacidade computacional, dados e talento. No mesmo momento, o segundo Global Digital Forum, em Moscou, reuniu representantes de 120 países e cerca de 760 delegados para discutir governança da internet fora do domínio de corporações estadunidenses, com a Rússia apresentando Yandex e VK como provas de que é possível construir ecossistemas tecnológicos alternativos — iniciativas que, de ângulos distintos, tentam romper um padrão de dependência em que o Sul Global gera dados e consome plataformas sem controlar a infraestrutura ou os lucros.
A Nvidia quer controlar a aposta dos EUA em modelos abertos, FT revela negociação para comprar ou ampliar fatia na Reflection AI
A Nvidia negocia adquirir ou aprofundar investimento na Reflection AI, desenvolvedora de modelos de peso aberto avaliada em US$ 25 bilhões em março e vista pelo governo Trump como rival de alternativas chinesas baratas; o acordo pode seguir o formato de "acqui-hire", usado pela empresa na compra da Groq por US$ 20 bilhões, evitando revisão antitruste mais longa. A movimentação ocorre após a Nvidia pagar US$ 13 bilhões pela Hugging Face em setembro e reflete o apelo do CEO Jensen Huang por um "ecossistema" doméstico de peso aberto, numa estratégia que combina investimentos bilionários em laboratórios de IA com o controle dos chips que sustentam toda a cadeia.
A Europa perde terreno nas tecnologias de 2040, Roland Berger projeta mercado de 20 trilhões de euros e vê menos de 3% das vendas de semicondutores no continente
Estudo da consultoria Roland Berger projeta que 30 tecnologias emergentes, lideradas por IA, semicondutores e centros de dados, movimentarão mais de 20 trilhões de euros até 2040, mas estima que a Europa capture apenas cerca de 3 trilhões se não mudar de rumo — hoje o continente responde por menos de 3% das vendas mundiais de semicondutores e deve ver sua fatia na capacidade de data centers cair de 13% para 10% até 2030, enquanto os EUA concentrariam 58%. A consultoria recomenda que a Europa foque em nichos onde já tem vantagem, como tecnologias quânticas e captura de carbono, e atraia investimento estrangeiro em IA industrial e chips especializados, diante de fragmentação de mercado e lentidão decisória que travam a comercialização de sua pesquisa.
O Japão bate recorde de ataques com vazamentos em série, ransomware na nuvem da IDC Frontier atinge 495 clientes, entre eles a JR East
O Japão já soma mais de 500 incidentes cibernéticos em 2026, superando os 473 casos de 2025, segundo levantamento do Yomiuri com a Trend Micro, levando o Escritório Nacional de Segurança Cibernética a emitir alerta a ministérios e empresas. Um ataque de ransomware contra a nuvem da IDC Frontier afetou 495 organizações, incluindo a JR East, com possível exposição de 6,09 milhões de contas, enquanto Lawson, BookOff, Daiichikosho e o portal de viagens Skyticket confirmaram vazamentos adicionais que somam dezenas de milhões de registros, entre eles senhas e dados bancários.
A ordem mundial muda em várias frentes ao mesmo tempo, Ignacio Ramonet vê IA e semicondutores no centro do poder e cobra capacidade tecnológica própria da América Latina
Em artigo publicado pela teleSUR, o jornalista Ignacio Ramonet descreve a transição de um sistema unipolar para uma ordem multipolar em que China, Índia e Rússia ganham centralidade e países como Brasil, México e Indonésia buscam ampliar autonomia estratégica, pressionando por reforma de instituições como ONU, FMI e OMC. Para o autor, a globalização não desaparece, mas se reorganiza em torno de segurança nacional e autonomia produtiva, com tecnologia e recursos estratégicos redefinindo o próprio conceito de soberania — ainda que o Sul Global, adverte, esteja longe de ser um bloco homogêneo de interesses convergentes.
O mito da superinteligência distorce a governança da IA, Milton Mueller argumenta que o medo de uma AGI autônoma apaga a responsabilidade humana
Em painel realizado na Fletcher School da Tufts University, o pesquisador Milton Mueller criticou a narrativa de uma inteligência artificial geral capaz de destruir a humanidade por vontade própria, chamando-a de "mito" que ignora leis da física e erros lógicos sobre autoaprimoramento recursivo. Para ele, tratar a IA como extensão da computação e da internet, e não como ruptura revolucionária, ajudaria a enquadrar problemas já conhecidos de cibersegurança e desinformação, em vez de deslocar o debate para um medo tecnológico que retira o foco das decisões humanas concretas sobre o uso dessas ferramentas.
O primeiro-ministro britânico confirma interferência russa no Brexit, Andy Burnham rompe com a linha conservadora e relata alerta de Merz sobre a AfD
O premiê britânico Andy Burnham afirmou que recebeu confirmação de que a Rússia interferiu no referendo do Brexit de 2016, rompendo com a posição de governos conservadores anteriores, que negavam evidências de interferência bem-sucedida. Burnham disse ainda que o chanceler alemão Friedrich Merz expressou, em encontro em Berlim, preocupação com os laços do partido de extrema-direita AfD com Moscou, reforçando o alerta sobre guerra de informação russa contra processos eleitorais europeus.
A África do Sul ameaça punir incitação online contra estrangeiros, comitê interministerial reage a tensões após decisão sobre pedidos de asilo
O Comitê Interministerial sobre Migração da África do Sul advertiu que usuários de redes sociais que incitarem violência ou intimidação contra estrangeiros enfrentarão consequências legais, após decisão da Corte Constitucional, em julho, declarar inconstitucionais trechos da Lei de Refugiados que permitiam deportação de solicitantes de asilo sem visto de trânsito. O órgão disse monitorar plataformas digitais diante de conteúdo inflamatório que poderia provocar hostilidade contra imigrantes e instituições estatais, reafirmando o direito à liberdade de expressão e ao protesto pacífico, mas excluindo discurso de ódio e incitação ao crime.
A proteção de crianças online começa na infraestrutura, especialista na Nigéria pede DNSSEC e bloqueio de contatos de adultos desconhecidos
A especialista em cibersegurança Gbemisola Esho defendeu, em entrevista à Agência de Notícias da Nigéria, que reguladores exijam medidas de proteção infantil na camada de infraestrutura da internet, e não apenas em leis e moderação de conteúdo, destacando o DNSSEC como ferramenta capaz de identificar domínios manipulados usados por predadores. Ela pediu ainda que plataformas bloqueiem por padrão o contato de adultos desconhecidos com crianças e tornem a verificação de idade automática e invisível ao usuário, alertando que crianças já buscam apoio emocional em sistemas de IA sem entender que não são interlocutores humanos.
A China segue no centro da cadeia de eletrônicos, Tim Cook visita Guangdong e Sumitomo Bakelite amplia fábrica de materiais em Suzhou
Tim Cook iniciou sua terceira visita à China no ano, encontrando o governador de Guangdong para discutir expansão da presença da Apple em manufatura inteligente e canais de vendas, após o lançamento do iPhone 18 Pro e do primeiro dispositivo dobrável da marca. No mesmo período, a japonesa Sumitomo Bakelite anunciou a segunda expansão em quatro meses de suas linhas de materiais de encapsulamento de chips em Suzicos e Singapura, dobrando a capacidade de produção de underfill para atender à demanda crescente de semicondutores avançados impulsionada pela IA.
A Fox defende os data centers enquanto o público se volta contra eles, Semafor vê mais da metade das menções favoráveis e racha na base de Trump
Análise da Semafor sobre legendas de TV mostra que mais da metade das referências a data centers na Fox News nos últimos dois anos foi favorável, contra menos de 10% na CNN e 5% na MS NOW, com programas de opinião da emissora enfatizando investimento econômico e a corrida tecnológica com a China. A cobertura ocorre em meio a rejeição crescente do público — mais da metade dos estadunidenses considera os data centers prejudiciais ao meio ambiente, segundo o Pew Research Center — e expõe uma divisão dentro da coalizão de Trump, com figuras como Ron DeSantis e Josh Hawley questionando os empreendimentos em seus estados.
O TikTok dos EUA segue ligado à ByteDance no dia a dia, Politico mostra equipes usando o Lark e um assistente de IA da antiga controladora
Apesar do acordo que criou a joint venture TikTok USDS para separar a operação estadunidense da ByteDance, funcionários ainda usam o aplicativo de comunicação interna Lark e o assistente de IA Aime, ambos desenvolvidos pela ex-controladora chinesa, para coordenar funcionalidades e políticas com a equipe global, segundo a Politico. A reportagem aponta que o sistema de proteção de dados de usuários estadunidenses depende essencialmente de autorregulação, com funcionários apenas orientados a não compartilhar informações sensíveis no chat, o que mantém viva a preocupação que motivou o Congresso a forçar a venda em 2024.